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Governo repudia a revogação de visto da embaixadora e fala em interferência dos EUA nas eleições
Reação do Planalto à decisão da administração americana
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudiou a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, e afirmou que a decisão faz parte de uma "escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil". O Planalto eleva o tom e afirma, institucionalmente, que Washington busca interferir na eleição presidencial de outubro.
"A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo. Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente", declarou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), em nota divulgada na noite desta terça-feira, 4.
De acordo com a nota da Secom, os dois argumentos apresentados pelo Departamento de Estado americano são falsos. O governo brasileiro apontou que os Estados Unidos anunciaram publicamente o nome do candidato à embaixada americana em Brasília, Daniel Perez, antes de um pedido formal feito ao Brasil.
O governo brasileiro também ressaltou que segue estritamente o direito internacional e que não existe uma regra que estipule o prazo para a concessão do agrément — aceitação oficial de um país para receber um embaixador estrangeiro —, e que o nome de Perez ainda está em análise.
Os Estados Unidos alegam que a administração Lula está deliberadamente criando obstáculos para impedir que Daniel Perez exerça a função diplomática no Brasil. Isso teria sido uma das razões que levaram Washington a revogar o visto de Viotti.
O Planalto informou ainda que o governo brasileiro revogou os vistos de Riley Barnes e Samuel Samson, funcionários do Departamento de Estado, pois eles teriam como função "colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro".
"Os dois funcionários do governo norte-americano que tiveram seus vistos de entrada no Brasil negados planejavam visitar o País para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional", ressalta a nota da Secom.
A nota também destaca que autoridades brasileiras ainda estão com vistos negados pelos EUA, com base na alegação de perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"O governo brasileiro não poupou esforços para resolver essas diferenças. O próprio presidente Lula, em sua visita a Washington em maio último, entre outros assuntos, solicitou ao presidente Trump o levantamento das sanções individuais", informou a Secom.
O governo declarou que se oporá à lógica de confrontação exercida pela administração americana e defendeu o diálogo e a negociação como bases da sua diplomacia.
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