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Luiza Trajano critica modelo de crédito e afirma que dinheiro não chega às pequenas empresas
Summit Mulheres nas Profissões; Luiza Trajano
Com a premissa de que as mulheres alcancem 50% das cadeiras do alto escalão nas empresas, Luiza Trajano cobrou uma redução da taxa de juros, mudanças no modelo de concessão de crédito para pequenos negócios e um compromisso para ampliar a presença feminina na alta liderança das organizações.
"Queria que vocês comprassem essa briga com a gente", convocou Trajano nesta terça-feira, 4, durante o Summit Mulheres nas Profissões, evento organizado pela empresária. A mesa reuniu Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, e os ministros Luiz Marinho, do Ministério do Trabalho e Emprego, Paulo Pereira, do Empreendedorismo, e a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
A empresária afirmou que o acesso ao mercado de trabalho não é suficiente para acelerar a carreira das mulheres. A ascensão para cargos de liderança ainda é uma limitação no País, destacou.
Tarciana Medeiros, do BB, afirmou que a igualdade de gênero é uma política instaurada na governança da instituição. Atualmente, as mulheres ocupam 44% dos cargos de alta direção do banco. "Queremos ocupar 50% dos espaços de poder", afirmou.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ressaltou a persistência das mulheres, apesar de a trajetória feminina ter sempre sido marcada por obstáculos. "Nunca foi fácil, mas somos teimosas", afirmou.
"Levamos mais de 200 anos para ter uma presidente mulher no Brasil. As mulheres têm mais acesso ao mercado, mas quantas chegam ao teto?", questionou Trajano. A desigualdade entre homens e mulheres também envolve o tabu de quanto cada um ganha. "Negócio de salário é caneta", resumiu.
O ministro Luiz Marinho responsabilizou os empregadores pela equiparação salarial nas empresas. "Não há explicação para que uma mulher ganhe menos pelo fato de ser mulher; isso é uma vergonha nacional", ressaltou.
Acesso ao crédito ainda é barreira para empreendedoras
A disparidade em relação ao dinheiro também interfere na saúde financeira de quem empreende. Trajano criticou os critérios utilizados pelo sistema financeiro para análise de risco e afirmou que o modelo atual não acompanha a realidade dos pequenos empreendedores, sobretudo das mulheres que estão na linha de frente dos negócios.
"O CredScore (score de crédito) está no século passado", afirmou. As empreendedoras ainda enfrentam exigências como a comprovação de patrimônio, imóvel próprio e renda incompatíveis com a realidade.
"Os bancos estão com dinheiro, mas existe um credscore que impede o acesso. É necessário descentralizar isso para quem está lá na ponta", reforçou. O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, reconheceu que essa é uma demanda antiga. "Escuto isso há muitos anos", respondeu. Trajano rebateu: "estou falando é de hoje".
O ministro argumentou que o governo trabalha para ampliar o acesso ao crédito para microempresas, com faturamento anual de até R$ 360 mil, e destacou que empresas lideradas por mulheres poderão ter condições diferenciadas em algumas linhas de financiamento.
Ele também anunciou uma iniciativa para ampliar as compras públicas de pequenos negócios. Pereira informou que está sendo criada uma plataforma na qual, antes de contratar uma empresa, órgãos públicos devem buscar os microempreendedores (MEIs) da própria cidade. A iniciativa faz parte do programa "Contrata mais Brasil".
A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou que a instituição tem ampliado as linhas voltadas ao empreendedorismo feminino. De acordo com ela, nos últimos três anos o banco disponibilizou mais de R$ 110 bilhões em crédito para mulheres empreendedoras. "Somos um dos poucos bancos que têm conta para MEI, já com limite e cartão", afirmou.
A ministra Márcia Lopes avaliou que as políticas públicas, incluindo as de crédito, devem ser construídas ouvindo as mulheres em seus próprios territórios. "As empreendedoras se organizam a partir dos territórios. Precisamos escutar as mulheres onde elas estão", ponderou.
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