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"Ninguém deve ser definido por rótulos": autor de 15 anos usa a fantasia para falar sobre aceitação

Em entrevista, o escritor e ilustrador Antônio Carreira revela como transformou experiências de bullying em inspiração para "Joaquim e Call: O Mundo Submerso"

Lara Montezuma 17/07/2026
'Ninguém deve ser definido por rótulos': autor de 15 anos usa a fantasia para falar sobre aceitação

Com apenas 15 anos, o escritor e ilustrador Antônio Carreira transformou experiências de bullying e exclusão em uma poderosa fantasia. Em Joaquim e Call: O Mundo Submerso, o autor apresenta um universo repleto de magia, portais e criaturas fantásticas para abordar temas como empatia, pertencimento, coragem e aceitação, mostrando como a imaginação pode ressignificar momentos difíceis.

Na entrevista abaixo, ele fala sobre o processo de transformar a dor em arte e o papel da literatura no acolhimento de jovens que enfrentam desafios semelhantes.

1. Você escreveu Joaquim e Call: O Mundo Submerso inspirado em experiências de bullying e sentimentos de exclusão. Como transformar essas vivências em uma história de fantasia ajudou você a dar um novo significado a esses momentos?  

Antônio Carreira: Transformar essas vivências em uma história me fez esquecer da realidade. Lá conseguia dar asas à imaginação e criar mil aventuras para os meus personagens, desta forma, parava de vivenciar o bullying e a exclusão e vivenciava apenas as minhas ideias, onde todo esse sofrimento era vencido pelos meus heróis.

2. Apesar da aventura repleta de portais, magia e criaturas fantásticas, o livro fala sobre temas muito humanos, como empatia, pertencimento e aceitação. O que você espera que os leitores levem consigo ao terminar a leitura?

A.C.: Espero que os leitores terminem a história com esperança. Mais do que acompanhar uma aventura, quero que eles percebam que ninguém deve ser definido por rótulos. Joaquim e Call mostram que a verdadeira força pode nascer da empatia, da amizade e da coragem de continuar, mesmo diante do medo, espero que os jovens percebam que mostrar sentimentos e pedir ajuda em momentos difíceis não é sinal de fraqueza.

3. Além de escrever a história, você criou as ilustrações e o visual dos personagens. Como foi o processo de construir esse universo e dar vida às palavras e às imagens?  

A.C.: Para mim, escrever e desenhar sempre fizeram parte do mesmo processo criativo. Muitas vezes, um personagem surgia primeiro no papel e, a partir do desenho, eu descobria sua personalidade, sua história e seu papel na narrativa. Cada ilustração foi pensada para transmitir emoções e dar identidade ao universo de Joaquim e Call. Foi muito especial ver personagens que existiam apenas na minha imaginação ganhando forma, expressão e vida. Acho que unir imagens e palavras tornou esse universo mais verdadeiro e permitiu que eu compartilhasse com os leitores exatamente como eu imaginava desde o início.

4. Os protagonistas enfrentam inseguranças e o medo de não serem aceitos, sentimentos comuns na adolescência. Como a literatura pode ajudar jovens que vivem desafios parecidos?  

A.C.: Eu acredito que a literatura é uma peça fundamental nesse quesito, pois não é só uma história, é catarse, emoção e identificação. Essa identificação ajuda os jovens à encontrarem soluções para seus problemas. 

5. Você começou muito cedo a contar histórias, dirigiu um curta premiado e agora lança seu primeiro romance. Como enxerga o início dessa trajetória e quais universos ou projetos ainda sonha em criar no futuro? 

A.C.: Vejo essa trajetória como apenas o começo de um sonho que venho construindo há muitos anos. No futuro, quero continuar expandindo o universo de Joaquim e Call, levando essa história para o cinema, séries e outras formas de arte, quero também desenvolver meus outros universos e personagens que já tenho criado. Meu maior sonho é contar histórias que façam o público imaginar, refletir e acreditar que a criatividade pode transformar vidas. 

Sobre o autorAntônio Carreira Alvim é um jovem escritor, ilustrador e criador de universos narrativos fantásticos. Nascido em 2011, descobriu cedo seu amor por contar histórias e desenhar personagens que refletem emoções profundas. Com apenas 13 anos, escreveu e dirigiu seu primeiro curta de animação, O Monstro da Rejeição, uma obra sensível inspirada nas próprias vivências com o bullying, transformando a dor em arte. O curta foi exibido em diversos festivais e conquistou prêmios como New York short Animaton FestivalGinkgo Film Festival 2026, Script Awards Los Angeles e Hollywood Screening Film Festival. Agora ele publica Joaquim e Call: O Mundo Submerso, uma aventura sobre empatia, solidariedade e amor. 

Instagram: @joaquim_call e @antoniocarreira13