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Procuradoria pede bloqueio de fundos da teia do Master por rombo de R$ 640 mi no RioPrevidência
A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro pediu à Justiça o bloqueio de bens de três gestores ligados à Master Corretora, braço de investimentos do conglomerado administrado por Daniel Vorcaro, e de seus respectivos diretores. Dois fundos receberam R$ 641,4 milhões em transportes do RioPrevidência, que tiveram seus investimentos comprometidos após a liquidação do Banco Master, em novembro do ano passado.
Por causa dos prejuízos milionários, o fundo previdenciário do Rio é investigado pela Polícia Federal na Operação Barco de Papel. A ofensiva da corporação apura se a cúpula do RioPrevidência fez aportes temerários no Banco Master, que totalizam R$ 970 milhões, segundo a PF. A autarquia nega as acusações.
Um tempo de nove procuradores do Estado do Rio ajudaram três ações contra os fundos Revolution e Texas I FIA, ambos ligados ao Master. Nas petições, a Procuradoria afirma que as perdas do RioPrevidência “alcançam patamares alarmantes”.
No fundo Revolution, o RioPrevidência aplicou R$ 481,4 milhões. Segundo a Procuradoria, embora o patrimônio atual do fundo seja estimado em R$ 567,8 milhões, a carteira permanece sob sigilo e é composta majoritariamente por ativos de crédito privado com remunerações de até 180% do CDI, taxa considerada pelos procuradores como "economicamente anômala".
A Procuradoria entrou com pedido de tutela cautelar para impedir que as remanescências do Mestre impeçam o resgate dos recursos solicitados pelo RioPrevidência, previsto para ocorrer em 17 de agosto. A medida também pede a apreensão de bens da gestora Acura Capital e de seus diretores Fernando Luiz de Senna Figueiredo e Ana Cristina Guerreiro Bezerra, para preservação do patrimônio em caso de eventual responsabilização e ressarcimento de prejuízos.
O Estadão pediu manifestação da Acura sobre a petição da Procuradoria Fluminense. O espaço está aberto para manifestação.
Os procuradores querem o bloqueio de ativos, a indisponibilidade de imóveis, veículos, ações, marcas, embarcações, aeronaves e criptomoedas dos diretores do fundo.
'Armadura arquitetada'
No caso do Texas I FIA, o RioPrevidência aportou R$ 150 milhões, valor que, segundo a Procuradoria, caiu para R$ 14,8 milhões, uma desvalorização superior a 90% em menos de um ano.
“O Rioprevidência foi vítima de uma armadilha arquitetada pela administração e pela gestão do Texas I FIA, que vendeu ao ente público cotas de um fundo lastreado em uma ação desprovida de fundamento”, afirma a petição.
A Procuradoria afirma que o fundo concentrou 96% da carteira em ações da Ambipar (AMBP3) e manteve essa exposição mesmo após polêmicas regulatórias envolvendo a companhia na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Nesse caso, a ação pede a indisponibilidade de bens do gestor Axor, do Administrador DTVM e dos diretores Alexandre Marchesani Canata e Felipe Mota Separovic Rodrigues.
A reportagem solicita um posicionamento dos gestores mencionados e de seus diretores. O espaço segue aberto para manifestação.
Os procuradores apontam que entre julho e agosto de 2024, o Trustee DTVM - relacionado na Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis - "teria comprado significativamente os papéis por meio de fundos, inflando artificialmente seu preço", segundo a Procuradoria.
A terceira medida apresentada aos procuradores do Rio é uma ação de exibição de documentos, com o "objetivo de obter informações e registros necessários para aprofundar a análise sobre a estrutura dos investimentos, a gestão dos fundos e possíveis irregularidades nas operações".
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