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Exterior difuso e vencimento de opções deixam Ibovespa sem direção única

Mercado aguarda novos desdobramentos

Estadao Conteudo 17/07/2026
Exterior difuso e vencimento de opções deixam Ibovespa sem direção única
ibovespa ações - Foto: Depositphotos Foto: https://depositphotos.com/

Com agenda mais esvaziada e o vencimento de opções sobre ações na B3, o Ibovespa abriu sem direção definida nesta sexta-feira, 17, e ainda enfrenta dificuldades para determinar um rumo. No exterior, os sinais são divergentes: os índices das bolsas ocidentais recuam, preocupados com o setor de tecnologia, enquanto o petróleo sobe mais de 3% após novos ataques dos EUA ao Irã.

O minério subiu 0,53% em Dalian, na China, impulsionando algumas ações do setor metálico, embora o papel da Vale não tenha acompanhado a alta. Investidores aguardam a assembleia de acionistas que elegerá o novo presidente do conselho da Vale, marcada para quarta-feira, dia 22.

“Tivemos o IPCA na sexta-feira passada e dados da inflação americana nesta semana, que não empolgaram os mercados nos últimos dias. Dois fatores pesaram – e pesam: a escalada nas tensões no Oriente Médio, com o petróleo subindo, e a correção de empresas do setor de tecnologia”, explica Thiago Salomão, fundador e CEO do Market Makers.

Nesta sexta, foi divulgado o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que subiu 0,07% em maio (0,10% no arredondamento), na comparação com abril (+0,51%), contrariando uma mediana negativa de 0,20% das projeções.

De acordo com o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, o resultado do IBC-Br em maio, um pouco mais forte do que em abril, e a revisão para cima na taxa interanual, contradizem sinais recentes de desaceleração. “É uma situação adversa. Os juros futuros estão abrindo, mesmo com notícias positivas que poderiam fazer a curva fechar, se apropriando de forma positiva da inflação em arrefecimento”, afirma.

Segundo Tavares, o cenário a curto prazo se mostra favorável para que o Banco Central promova um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic durante o Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto. “Isso se reflete na ponta curta dos juros futuros, mas do miolo para frente a indicação é de risco, para cima. O quadro externo é extremamente incerto”, salienta.

Conforme Salomão, do Market Makers, o IPCA de junho, divulgado na sexta-feira passada, foi “muito bom” para reduzir apostas de estabilização dos juros, com a possibilidade de a Selic cair de 14,25% para 14% ao ano em agosto. “Contudo, as projeções para a inflação estão acima da meta”, pondera.

No exterior, a queda das bolsas reflete a desvalorização de ações de chips e outras ligadas à inteligência artificial, em meio a uma liquidação global no setor de tecnologia. Simultaneamente, investidores monitoram os desdobramentos do conflito entre EUA e Irã.

Na quinta-feira, 16, as forças americanas concluíram uma nova onda de ataques contra o país persa, que respondeu com bombardeios a países árabes do Golfo Pérsico. Esta foi a sexta noite consecutiva de hostilidades entre os dois países, e o Irã declarou que impedirá as exportações de petróleo e gás da região devido às ofensivas norte-americanas.

Na véspera, o Ibovespa fechou em baixa de 1,24%, aos 173.825,27 pontos, acumulando uma queda semanal de 2,27%. Às 11h44 de sexta, o Índice Bovespa subia 0,04%, aos 172.886,80 pontos, após uma mínima de 173.319,62 pontos (-0,29%) e máxima de 174.342,39 pontos (+0,30%), iniciando a sessão estável a 173.825,27 pontos. A Petrobras avançava cerca de 2%, enquanto a Vale recuava 0,33%, por exemplo.