Geral
Tarifaço dos EUA impacta 26% das exportações brasileiras, aponta CNI
Medidas tarifárias e suas consequências para o comércio bilateral
O Brasil enfrentará a maior carga tarifária imposta pelos Estados Unidos entre os países da América Latina, com a nova sobretaxa de 25% anunciada por Washington. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que a sanção comercial afetará pelo menos 26% dos produtos exportados para o mercado norte-americano.
A projeção do banco Goldman Sachs estima que a tarifa efetiva sobre os produtos brasileiros alcançará 16,8%, superando os percentuais do Peru (8,5%), México (7,2%) e Argentina (7,1%). Embora a alíquota anunciada seja de 25%, o percentual real é inferior, pois parte das exportações brasileiras não está abrangida pela medida.
O Goldman Sachs também sugere que Brasília pode implementar medidas pontuais de retaliação comercial, mas ressalta que uma resposta mais enérgica poderá resultar em novas sanções dos Estados Unidos.
A CNI dimensionou os impactos da nova norma, revelando que aproximadamente quatro mil produtos brasileiros passarão a ser atingidos pela tarifa adicional, comprometendo 26% da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos, equivalentes a cerca de US$ 11 bilhões (R$ 56 bilhões).
Entretanto, a CNI ressalta que a lista final divulgada pelo governo norte-americano preservou diversos produtos inicialmente ameaçados, reduzindo as perdas estimadas para a indústria brasileira em aproximadamente US$ 2,3 bilhões (R$ 11,3 bilhões).
Esse resultado decorre, entre outros fatores, da atuação conjunta dos representantes dos setores produtivos brasileiro e norte-americano durante as consultas e audiências públicas conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
Apesar das exceções, alguns segmentos enfrentarão impactos significativos, como o setor madeireiro, onde 81% das exportações para os Estados Unidos estarão sujeitas à nova tarifa. Além disso, 51% dos produtos químicos e 38% dos alimentos destinados ao mercado norte-americano também serão afetados.
Outro dado relevante, segundo a CNI, é que cerca de 60% dos produtos impactados são bens intermediários utilizados pela própria indústria dos Estados Unidos, com o Brasil ocupando a posição de principal fornecedor em dez dos 13 principais itens listados na medida.
Tarifa foi anunciada após investigação comercial
A tarifa adicional de 25% foi anunciada na noite de quarta-feira (15) pela Casa Branca, poucas horas antes do término do prazo estabelecido pelo USTR para concluir a investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
A decisão foi detalhada pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, durante uma teleconferência com jornalistas promovida pela Casa Branca.
A investigação concluiu que o Brasil implementa práticas consideradas restritivas ao comércio norte-americano em questões como o sistema de pagamentos Pix, comércio digital, acesso ao etanol, propriedade intelectual e decisões envolvendo plataformas digitais.
O governo brasileiro afirmou que as acusações carecem de base nas regras multilaterais do comércio. Em uma nota divulgada após o anúncio, o Planalto descreveu a medida como um "marco lastimável" nas relações entre os dois países, informando que recorrerá aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e retomarão a discussão no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O Executivo também reiterou que o Pix é uma infraestrutura pública aberta à participação de empresas nacionais e estrangeiras, considerando as alegações norte-americanas contra o sistema de pagamentos como "descabidas" e afirmou que buscará diversificar os mercados para reduzir a dependência das exportações brasileiras em relação aos Estados Unidos.
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