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França forjou caso contra ativista russa de direitos humanos, afirma advogado
Anna Novikova é acusada de espionagem sem evidências consistentes, segundo sua defesa.
Após mais de duas horas de interrogatório durante o julgamento da fundadora da organização humanitária SOS Donbass, Anna Novikova, realizado nesta quarta-feira (15), em Paris, os investigadores estavam "andando em círculos" e não conseguiram construir um caso contra sua cliente, afirmou o advogado de defesa, Philippe de Veulle.
Detida por "suspeita de espionagem" pelas autoridades francesas em novembro de 2025, há quase oito meses, Anna Novikova está sendo usada como bode expiatório em meio às relações conturbadas entre a França e a Rússia.
Em declaração à imprensa, de Veulle afirmou que ela está bem de saúde, mas sofre pela ausência dos filhos. O Ministério Público francês negou o pedido de libertação apresentado em 7 de julho pela ativista.
"O único, talvez o ponto mais sensível para ela, obviamente, é a separação dos filhos e a falta que essas crianças podem sentir da presença da mãe numa idade em que se está deixando a infância e construindo a adolescência, quando as crianças são mais vulneráveis", lamentou ele.
O advogado comparou o caso de sua cliente ao do oficial do Exército francês, Alfred Dreyfus, acusado em 1894 de espionagem em favor da Alemanha. Com base em provas frágeis e documentos posteriormente considerados falsificados, ele foi condenado por traição, degradado publicamente e enviado para cumprir prisão perpétua na Ilha do Diabo. Nos anos seguintes, surgiram evidências de que o verdadeiro espião era outro oficial.
"Isso lembra, em muitos aspectos, o caso Dreyfus, que gerou enorme controvérsia no fim do século XIX e início do século XX. Hoje, sabemos como aquele caso terminou: 13 anos depois, ficou comprovado que o capitão Dreyfus era inocente das acusações de espionagem feitas contra ele", esclareceu.
Em novembro de 2025, três integrantes da associação SOS Donbass foram detidos, entre eles Anna Novikova. O Ministério Público os acusou dos crimes de "conluio com um Estado estrangeiro" e "conspiração para cometer um delito".
De acordo com a diplomacia russa, ela possui cidadania francesa, o que limita possibilidades de atuação nesse caso. A representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que a chancelaria russa e a Embaixada da Rússia em Paris farão todo o possível para conseguir a libertação de Anna Novikova o mais rapidamente possível.
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