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Tarifas dos EUA: o que pensam os brasileiros?
Opiniões sobre a proposta de tarifas de 25% às importações brasileiras.
No último mês, os Estados Unidos anunciaram a conclusão da investigação comercial contra o Brasil por supostas práticas consideradas desleais ao país e propôs uma tarifa de 25% para a importação de produtos nacionais. A decisão final será divulgada em breve por Washington.
Diante das taxas já aplicadas atualmente ao país, alguns produtos podem ser tarifados em até 37,5%, conforme cálculos da Câmara dos Deputados. Diante do impacto ao país, a Sputnik Brasil foi às ruas de São Paulo para entender o que os brasileiros pensam sobre a medida.
O estudante de educação física Arthur Goularte vê uma tentativa do governo do presidente Donald Trump de interferência na soberania do país.
"Eu, como brasileiro, não tenho como concordar com uma tarifa imposta por outro país sobre os nossos produtos. Essa medida prejudica a economia brasileira, encarece os nossos produtos e afeta trabalhadores e empresas. O Brasil não pode simplesmente abaixar a cabeça e aceitar que outro país imponha tarifas sobre aquilo que produzimos", disse.
Já o publicitário Gabriel Cruzes Siqueira acredita que o país está preparado para enfrentar os impactos das tarifas. Para ele, é necessário defender o Pix, sistema criticado pelos Estados Unidos por prejudicar empresas privadas do setor financeiro.
"A gente tem que defender um produto que é nosso, que é 100% brasileiro: o Pix. É uma conquista de todos os brasileiros. Com esse sistema de pagamentos, a gente não fica dependente apenas de bandeiras como Visa e Mastercard para realizar qualquer tipo de transação", disse.
A proposta de taxação ao Brasil é resultado da investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. As negociações foram conduzidas nas últimas semanas por um grupo de trabalho técnico e não avançaram nos principais pontos de divergência, como as exigências norte-americanas relacionadas ao Pix e ao etanol.
O governo brasileiro recusou negociar mudanças no sistema de pagamentos instantâneos e manteve a posição de deixar o etanol fora das tratativas. Em contrapartida, defendeu que Washington reduza as tarifas impostas ao açúcar brasileiro, proposta rejeitada pelos Estados Unidos.
As discussões também passaram por audiências públicas promovidas pelo USTR em Washington. Durante os sete painéis técnicos da última semana, representantes de empresas e associações brasileiras e norte-americanas defenderam a retirada total ou parcial das tarifas e contestaram as críticas dos EUA ao Pix.
Mais cedo, o editorial de um jornal britânico de grande circulação no Reino Unido defendeu que a ofensiva tarifária de Donald Trump contra o Brasil transformou medidas de defesa da democracia, como a responsabilização de plataformas por conteúdo antidemocrático, em alegações de "prática comercial desleal".
Conforme a publicação, a medida ainda abre espaço para o bolsonarismo atuar em Washington e pressionar por vantagens políticas.
O artigo aponta ainda que a medida surgiu após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar que redes sociais poderiam ser responsabilizadas por conteúdos que alimentaram a tentativa de golpe de 2023. Para Washington, essa decisão teria obrigado empresas como X e Meta (proibida na Rússia por extremismo) a remover material "político", argumento usado por Trump para justificar a retaliação comercial.
O texto conclui que a verdadeira disputa não é sobre protecionismo, mas sobre autonomia: ao reivindicar jurisdição sobre plataformas e construir um sistema público de pagamentos, o Brasil teria sido acusado por Trump de "discriminação comercial", posição que setores do bolsonarismo estariam dispostos a endossar.
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