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Análise: conflito entre Cabul e Islamabad tem raízes no colonialismo e não interessa à região

Conexões históricas e interesses geopolíticos na disputa.

Sputnik Brasil 14/07/2026
Análise: conflito entre Cabul e Islamabad tem raízes no colonialismo e não interessa à região
Análise sobre as raízes do conflito entre Cabul e Islamabad no contexto do colonialismo. - Foto: © telegram SputnikBrasil

Em entrevista ao podcast internacional da Sputnik Brasil, Mariana Araújo, internacionalista, explica que a atual configuração da fronteira entre Afeganistão e Paquistão é resultado do processo de colonização britânica na região. Como ocorreu em diversos contextos coloniais, a delimitação territorial foi definida pelos interesses da metrópole, sem considerar as características étnicas, sociais e tribais locais. Esse desenho deixou comunidades historicamente conectadas em lados opostos da fronteira, criando um ambiente propício a disputas e instabilidade.

Para o cientista político João Nicolini, existe uma assimetria militar muito grande entre os dois países. "O Paquistão é uma potência nuclear, […] tem um exército que já travou guerras, tem preparação para o conflito e é muito mais estruturado que o Afeganistão". Enquanto os EUA focam o conflito com o Irã e as eleições de meio de mandato, e outros países do Norte Global priorizam seus "interesses econômicos", os atritos no Sul da Ásia interessam sobretudo à China e à Rússia.

Segundo Araújo, Pequim e Moscou tentarão impedir uma escalada devido à cooperação que mantêm na região. Sobre a mediação do conflito entre Cabul e Islamabad, Nicolini observa as boas relações que o governo russo tem construído com o Paquistão, tendo em vista a ampliação dos seus fluxos comerciais com os paquistaneses. Além disso, Moscou também tem um canal formal e boa relação com o governo do Afeganistão. Apesar disso, para o analista, a China é quem deve ser o ator principal na mediação, dado seu maior interesse naquela zona.

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