Geral
Dólar cai 1,06%, para R$ 5,0778, após deflação nos EUA em junho
Moeda americana fecha abaixo de R$ 5,10 pela primeira vez desde junho.
O dólar exibiu queda firme frente ao real nesta quarta-feira, 14, fechando abaixo da linha de R$ 5,10 pela primeira vez desde meados de junho. O mercado doméstico de câmbio acompanhou a onda global de enfraquecimento da moeda americana, desencadeada pelo resultado da inflação ao consumidor nos EUA em junho, que esfriou as apostas em alta de juros pelo Federal Reserve a partir de setembro.
Após a arrancada dos últimos dias, as cotações do petróleo arrefeceram o ritmo de alta, na esteira da decisão do presidente Donald Trump de abandonar a ideia de cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz. O contrato do Brent para setembro subiu 1,72%, a US$ 84,73 o barril, mantendo alta de dois dígitos no mês.
Sem um recrudescimento adicional da aversão ao risco, o real se beneficiou da perspectiva de termos de troca mais favoráveis com os novos níveis do petróleo, exibindo o melhor desempenho entre as divisas mais líquidas. Além disso, a menor volatilidade estimula as operações de carry trade.
Em queda desde a abertura e com mínima de R$ 5,0662 pela manhã, o dólar à vista terminou o dia em baixa de 1,06%, cotado a R$ 5,0778 - menor valor de fechamento desde 16 de junho, quando foi a R$ 5,0867. A moeda americana recua 1,65% em julho, após um avanço de 2,38% no mês anterior, com perdas acumuladas de 7,49% no ano.
Para o head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, o otimismo com a deflação nos EUA tende a ser temporário, uma vez que o petróleo subiu mais de 10% no início desta semana e isso deve impactar as próximas leituras de inflação.
"O alívio na inflação em junho foi em itens voláteis, como os preços dos combustíveis. Com a volta do conflito no Oriente Médio, isso tende a ser revertido", afirma Chiumento, ressaltando que o próprio presidente do Fed, Kevin Warsh, disse nesta terça que a batalha contra a inflação ainda não está encerrada.
O indicador mais aguardado da semana, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA, recuou 0,4% em junho. A mediana de Projeções Broadcast, do Grupo Estado, apontava deflação de 0,1%. Já o núcleo do CPI - que exclui itens voláteis, como alimentos e energia - manteve-se estável na passagem de maio para junho, abaixo da mediana de alta de 0,2% das Projeções Broadcast.
Sob o impacto do CPI de junho, o índice DXY - que mede o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes - voltou a romper o piso dos 101,000 pontos e rondava os 100,950 pontos por volta das 17h, após mínima de 100,607 pela manhã.
As taxas dos Treasuries recuaram, com o retorno do papel de dois anos, mais ligado às apostas para os próximos passos do Federal Reserve, chegando a operar abaixo da linha de 4,20%, com mínima de 4,1514%. Ferramenta do CME Group mostrou redução das chances de alta dos juros em setembro, de cerca de 73% para cerca de 60%.
Para o economista sênior do Commerzbank, Christoph Balz, a estabilidade do núcleo do CPI em junho sugere que a inflação já atingiu seu pico e tende a arrefecer, apesar de possível alta dos preços da gasolina em julho com o avanço do petróleo.
"O resultado do CPI é favorável à nossa visão de que o Fed não deve subir os juros. A partir de meados de 2027, a inflação mais baixa provavelmente desencadeará cortes nas taxas", afirma Balz, em nota.
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