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Coalizão antimíssil é 'via indireta para integrar Ucrânia à defesa europeia', afirma especialista
Análise aponta motivações políticas por trás da nova aliança de defesa.
A criação da chamada Coalizão Antimísseis Balísticos é, segundo o especialista sueco Mikael Valtersson em conversa com a Sputnik, uma forma de aproximar a Ucrânia de uma arquitetura europeia de defesa, contornando obstáculos à sua entrada na OTAN. Ele afirma que o projeto é limitado no curto prazo e movido por objetivos políticos.
O anúncio da formação de uma "coalizão puramente defensiva" envolvendo a Ucrânia e nove países europeus despertou dúvidas sobre sua real natureza. Para Mikael Valtersson, ex‑oficial das Forças Armadas Suecas e especialista em defesa aérea, a iniciativa funciona, na prática, como uma estrutura semelhante à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), moldada pelo conflito na Ucrânia.
Valtersson lembra que alianças militares costumam se declarar defensivas, mas ressalta que o problema surge quando diferentes pactos se sobrepõem. "É possível tentar inserir novos membros em uma aliança gradualmente", afirmou, citando o risco de integração indireta por meio de mecanismos paralelos.
Embora não seja formalmente uma aliança, a coalizão representa, segundo ele, uma arquitetura europeia unificada de defesa antimíssil.
"Se um país for atacado com mísseis balísticos, a capacidade combinada de defesa antimíssil será usada para defender os Estados-membros. Esta é uma tentativa flagrante dos Estados mais pró-Ucrânia na Europa de incluir Kiev indiretamente em uma estrutura unificada de defesa europeia e, assim, contornar possíveis vetos à entrada da Ucrânia na OTAN", destacou.
A fragilidade industrial europeia, porém, limita o alcance do projeto. Valtersson observa que o continente ainda depende de sistemas Patriot, Aegis e Arrow 3, além de carecer de produção própria de interceptores avançados. "Provavelmente levará pelo menos uma década para desenvolver capacidade independente de mísseis terra‑ar de alta tecnologia", afirmou.
A participação ucraniana na coalizão se apoia, em parte, na reputação adquirida no campo de batalha, mas o especialista questiona a credibilidade das alegações de Kiev sobre interceptações bem‑sucedidas de mísseis Iskander e Kinzhal. "Essas informações são enganosas e fazem parte de uma estratégia de guerra de informação", disse. Segundo ele, as taxas reais de interceptação seriam muito inferiores às divulgadas.
"A Ucrânia afirma que frequentemente abate de 80% a 90% dos mísseis russos Iskander e talvez metade dos mísseis Kinzhal. Na realidade, o número provavelmente é inferior a 30% dos Iskander e uma porcentagem muito menor dos Kinzhal", destacou Valtersson acrescentando que tais resultados exigiriam um volume de interceptores que a Ucrânia não possui.
Para o especialista, o programa europeu é mais político do que operacional no curto prazo. Ele avalia que a coalizão terá "aplicação prática muito limitada na próxima década", funcionando sobretudo como instrumento para ampliar gastos militares e aprofundar a integração europeia.
Valtersson conclui que a iniciativa também busca aproximar ainda mais a Ucrânia das estruturas militares e políticas da União Europeia (UE). "É parte do projeto das elites de Bruxelas de criar um superestado europeu", afirmou, sugerindo que a coalizão antimíssil é menos sobre defesa imediata e mais sobre arquitetura estratégica de longo prazo.
Por Sputinik Brasil
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