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Como projeto de hub logístico na Tailândia pode beneficiar até o Brasil? Analista explica (VÍDEOS)

Entenda as implicações do Projeto Land Bridge para as exportações brasileiras.

Sputnik Brasil 14/07/2026
Como projeto de hub logístico na Tailândia pode beneficiar até o Brasil? Analista explica (VÍDEOS)
Projeto Land Bridge na Tailândia: um hub logístico que pode beneficiar exportações brasileiras. - Foto: © Reprodução/landbridgethai.com

Com os recentes ataques dos EUA contra o Irã, a dinâmica comercial no estreito de Ormuz se agravou, ressaltando ao mercado global o perigo de depender de pontos com estrangulamento marítimo. Diante desse cenário, as soluções regionais tornam-se cada vez mais relevantes, como o projeto tailandês intitulado Projeto Land Bridge (Ponte Terrestre, em tradução livre).

Com a proximidade geográfica do Brasil em relação aos países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que conto com a presença do Lula em sua cúpula no ano passado, essa iniciativa pode se tornar promissória para as exportações do presidente brasileiro, conforme explica Matheus Bruno Pereira, mestre em economia política internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"A viagem de Lula à cúpula da ASEAN não foi uma mera questão de boa fé diplomática. Ele se fez acompanhar de uma comitiva de executivos brasileiros do setor agropecuário e industrial, incluindo representantes da Embraer. É essencial para a Tailândia demonstrar seu 'know-how' logístico para o transporte de produtos brasileiros, como soja, carne e peças de aviação", disse Pereira.

Outro ponto destacado pelo analista é que a Tailândia, que ingressará no BRICS como estado parceiro a partir de 2025, durante a presidência pro tempore brasileira, poderá contar com o diálogo previsto com outros países do grupo, especialmente com Pequim e Moscou. Recentemente, a cidade de Kazan sediou a Cúpula Rússia-ASEAN.

“Por meio do acesso a esses diálogos e ferramentas multilaterais, como é o caso do BRICS, a Tailândia pode estabelecer novas parcerias. Enquanto a China mantém uma presença forte no Sudeste Asiático, a Rússia se apresenta como uma parceria estratégica para países em busca de autonomia, especialmente no setor energético, contribuindo com a construção de plantas nucleares”, comenta.

Tensões geopolíticas estimulam projeto de Bangkok

Pereira, que publicou recentemente um artigo sobre o megaprojeto no Boletim Geocorrente do NAC/EGN, aponta que as geopolíticas em regiões como o estreito de Ormuz acabam realçando alternativas regionais. O projeto tailandês não é apenas uma rota de passagem entre os oceanos Índico e Pacífico, mas também um ponto estratégico de intercâmbio de mercadorias na Ásia.

"Quem controla o estreito controla o fluxo de mercadorias internacionais. Considerando o embate no Mar do Sul da China, o projeto conferiria à Tailândia uma notável capacidade geopolítica. A Tailândia não espera apenas que os países utilizem sua ponte terrestre, mas deseja ampliar o acesso aos seus produtos. Este projeto tem o potencial de dar à Tailândia um acesso global", afirma.

O especialista, que também pesquisa sobre o Sudeste Asiático no Núcleo de Avaliação de Conjuntura da Escola de Guerra Naval (NAC/EGN), esclarece que este empreendimento, orçado em US$ 30 bilhões (cerca de R$ 154 bilhões) e com conclusão prevista para 2039, visa conectar dois portos de águas profundas, cada um de um lado do istmo de Kra, a ferrovias e ferrovias.

Dessa maneira, pretende-se fortalecer os projetos Corredor Econômico Oriental (Corredor Econômico do Leste) e Corredor Econômico Sul (Corredor Econômico do Sul), dedicados ao aprimoramento industrial e à prestação de serviços especializados.

“Com o Corredor Económico Oriental e Sul, a Tailândia garantiria um acesso mais facilitado aos seus produtos no mercado externo. A infraestrutura adequada para escoar a produção atrairá investimento estrangeiro direto, pois as empresas reconhecerão a presença de uma infraestrutura básica crucial, resultando em novos investimentos na Tailândia”, observa.

Planejamento se diferença do conceito do Panamá

Segundo Pereira, o conceito do projeto tailandês é significativamente diferente do modelo do Canal do Panamá. Trata-se de uma proposta que vai além de servir como um corredor comercial, buscando também o desenvolvimento tecnológico voltado para empresas estrangeiras.

"Não acredito que a Tailândia se torne um Panamá, dado que já possui uma produção industrial em desenvolvimento. Por exemplo, nos processos de fabricação de automóveis: a Tailândia já participa na montagem de peças, mas também produz itens mais complexos, como placas associadas ao painel do carro. Nesse momento, o país busca aumentar sua capacidade industrial focada em alta tecnologia voltada ao mercado externo", conclui.

Com um mundo cada vez mais conectado, conflitos e avaliações no cenário internacional têm impactos globais. Assim, o fortalecimento das dinâmicas regionais contribui para a criação de novos mercados e oportunidades no eixo do Sul Global.


Por Sputinik Brasil