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Crianças são mais vulneráveis a envenenamentos por picadas de escorpião

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Agência Brasil 08/07/2026
Crianças são mais vulneráveis a envenenamentos por picadas de escorpião
Crianças são mais afetadas por envenenamentos por picada de escorpiões no Brasil.

Casos recorrentes de envenenamento sistêmico grave por peçonha de escorpião, como o da menina Valentina Nobre Lima, de 11 anos, que morreu após ser picada ao calçar ou sapato no Distrito Federal, chamam a atenção para a vulnerabilidade de crianças.

Após o acidente, uma família fugiu do Corpo de Bombeiros, mas só teve acesso ao soro antiescorpiônico no Hospital Regional, de onde foi encaminhada à UTI. Valentina foi intubada e em coma induzido por 24 dias, falecendo no dia 5, início desta semana.

No Brasil, há mais de 170 espécies de escorpiões, e os efeitos das picadas podem variar em gravidade, dependendo da espécie e da idade da vítima. O escorpião-amarelo, amplamente distribuído por todas as macrorregiões do país, é responsável pelos acidentes mais graves.

Segundo Joelma Gonçalves Martin, especialista da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), as crianças são mais vulneráveis ​​à substância injetada pelo escorpião devido à sua menor massa corporal em comparação aos adultos.

"É um veneno extremamente agressivo. Uma criança é picada e recebe a mesma quantidade de veneno que um adulto, mas no organismo dela, que tem um peso corporal menor, isso resulta em uma dose maior de toxina por quilo de peso. Isso pode ser mais perigoso comparado aos adultos", explica o pediatra.

sintomas

De acordo com Joelma, o veneno do escorpião possui toxinas que afetam o sistema nervoso, causando diversos sintomas que afetam principalmente o coração e o sistema neurológico.

"Essas substâncias podem causar ataque cardíaco, hipertensão e edema agudo de respiração. No caso das crianças, esses efeitos são mais intensos, pois elas possuem menor reserva fisiológica para suportar essas alterações", aponta.

Conforme a pediatra, o agravamento do quadro logo apresenta outros sinais como taquicardia, sudorese, variações de pressão arterial, convulsões, atualização psicomotora, sonolência, falta de resposta neurológica, bradicardia (batimentos lentos), dor abdominal e falta de ar.

“A intensidade dos sintomas da picada do escorpião depende da quantidade de veneno inoculado e da idade do paciente, sendo que as crianças apresentam sintomatologia mais grave”, reforça Joelma Martin.

Atendimento

Os sinais visíveis da picada na pele costumam ser discretos, mas a dor intensa é um forte indicativo da necessidade de uma resposta médica rápida, especialmente para crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas.

"É crucial que haja um mapeamento nos municípios sobre onde se localizam os serviços mais próximos que possuem soro antiescorpiônico, para que os pacientes possam ser encaminhados rapidamente. O tempo de coleta do soro influencia diretamente na eficácia do tratamento", explica o pediatra.

Informações do Centro de Informação e Assistência Toxicológica indicam que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) ou o Corpo de Bombeiros (193) podem ser acionados para transportar o paciente até os hospitais de referência para soroterapia em casos de acidentes de animais por peçonhentos.

Cada Secretaria Estadual de Saúde é responsável por manter atualizada a lista desses hospitais.

Segundo Joelma Martin, é fundamental ter essa informação prévia, mesmo antes de um acidente, para evitar perda de tempo na busca por serviços de saúde inadequados que não possuíssem o soro antiescorpiônico.

"Higienizar o local da picada, administrar eventualmente um analgésico via oral, que embora seja um pouco eficaz, pode auxiliar a minimizar a dor. Levantar o membro afetado também pode ser um complemento do tratamento, mas isso não deve atrasar o encaminhamento ao hospital", conclui o pediatra.

Prevenir

Como as crianças são mais suscetíveis aos casos graves de envenenamento, é necessário redobrar as medidas de prevenção entre elas.

“Orientar as crianças a chacoalhar sapatos que ficam guardados, roupas paradas há muito tempo e evitar brincadeiras em lugares com buracos nas paredes ou acúmulos de materiais de construção são bloqueios importantes, pois esses locais podem esconder escorpiões”, destaca Joelma.

O manual do Ministério da Saúde sobre acidentes por escorpiões alerta que a limpeza do ambiente é essencial para evitar a presença de insetos que servem de alimento ao escorpião. O uso de soleiras, telas e colocação de ralos, bem como a retirada de pias fora de uso também são barreiras eficazes.

Afastar camas e berços das paredes e evitar que roupas de cama, mosquiteiros e outros tecidos se costem no chão são medidas que previnem a subida de escorpiões. Quando a presença desses animais é identificada, é importante comunicar à vigilância ambiental.

“É importante enfatizar que os escorpiões se reproduzem por partenogênese, portanto, ao encontrar um escorpião, é provável que haja uma família próxima”, conclui o pediatra.