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Poder de compra em declínio: conta invisível esvazia o bolso dos brasileiros
Crescimento dos gastos públicos e expansão de benefícios sociais corroem o poder de compra da população, aponta o Economista Sincero
A sensação de que o dinheiro desaparece antes do fim do mês tornou-se uma constante para os brasileiros. Essa perda contínua do poder de compra, no entanto, não é um fenômeno isolado ou recente. Trata-se do resultado de um modelo econômico focado na expansão do Estado, cujos efeitos se acumulam há décadas e foram agravados no período pós-pandemia. A avaliação é do economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero.
Segundo Mendlowicz, a engrenagem que penaliza o bolso de quem trabalha ganhou força a partir da década de 1980 com o avanço do conceito de Estado de bem-estar social. Embora o amparo à população seja fundamental, o financiamento dessa estrutura atingiu um limite insustentável. "O Estado ficou muito grande, está contratando muitas pessoas, pagando muitas pensões e benefícios, e o dinheiro já não está dando conta. E se o dinheiro não dá para sustentar o Estado, cada vez o Estado tem que tirar mais dinheiro do bolso da população", explica o economista.
Esse descompasso fica evidente nos dados do IBGE: segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), cerca de 19,4 milhões de brasileiros (9,1% da população ou um em cada 11 brasileiros) recebem rendimentos de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O indicador mais alarmante é o fato de nove estados brasileiros registrarem hoje mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada”, observa Mendlowicz.
Distorção gera pressão inflacionária
Para o economista, essa distorção gera uma pressão inflacionária, já que o volume de recursos distribuídos circula no comércio local, elevando a demanda sem que haja um aumento proporcional na produtividade. O Economista Sincero explica que quem paga a conta é a classe trabalhadora, que arca com uma carga tributária crescente: no primeiro semestre, de acordo com o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo, a arrecadação federal atingiu a marca histórica de R$ 2 trilhões, impulsionada por sucessivos aumentos de impostos para cobrir despesas de custeio.
"A sensação que você tem de que o dinheiro não tem o mesmo poder de compra de antigamente ocorre porque ele está, sim, sustentando outras pessoas", pondera Mendlowicz. "Se o governo está cada vez mais dando dinheiro para algumas pessoas, ele tem que subir os impostos. Isso exige que quem trabalha sustente quem está recebendo os benefícios", complementa o economista.
Barreiras para conquistar a independência afetam novas gerações
Esse arranjo cobra um preço alto das novas gerações. A chamada Geração Z é a que mais relata estresse financeiro, diante da barreira para conquistar a independência. Itens básicos de consumo, veículos e moradia acumularam altas substanciais, inviabilizando planos como a compra da casa própria ou o casamento.
"Um carro zero hoje custa R$ 100 mil. Uma casa, nem se fala. Você não consegue mais comprar uma casa, e o aluguel pesa no orçamento", aponta Mendlowicz, reforçando que o mercado financeiro já reflete essa disfuncionalidade fiscal por meio de juros futuros elevados.
O economista lembra que o colapso financeiro de países como a Grécia, em 2011, e a crise na Venezuela servem de alerta sobre o risco de se negligenciar a responsabilidade fiscal em nome de políticas assistencialistas sem lastro produtivo. “Sem reformas estruturais que limitem o tamanho do aparato estatal e incentivem a geração de empregos formais, a tendência é de continuidade do arrocho sobre a renda das famílias”, conclui Charles Mendlowicz.
Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso no mercado financeiro e no varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller "18 princípios para você evoluir". Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.
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