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Festa centenária no Brás resiste como maior polo de imigração italiana fora da Itália
Evento tradicional acontece de 30 de maio a 12 de julho.
A festa começou em 15 de junho de 1918, quando imigrantes vindos de Polignano a Mare, na região da Puglia, organizaram uma celebração religiosa e social em homenagem ao santo padroeiro de sua cidade natal na Itália. Em 2024, a festa foi reconhecida pela lei federal como manifestação da cultura nacional.
No Brás, zona leste de São Paulo, a Festa de São Vito chega à sua 108ª edição mantendo uma receita que, segundo os próprios organizadores, não existe em nenhum outro lugar do Brasil. Neste ano, o evento acontece de 30 de maio a 12 de julho, aos sábados e domingos, a partir das 19h00, entre a Rua Fernandes Silva e a Rua Polignano a Mare, no coração do bairro.
Giovanni Vincenzo Cipriano, mestre de cerimônias da festa e também responsável pela barraca de macarrão, é da terceira geração de sua família a participar do evento — começou com a avó, atrasada com os pais e agora com ele e o irmão. “Aqui vocês vão encontrar gerações de famílias que se reuniram com os avós ou com os bisavós, e foi passando de geração para geração”, afirma. Segundo ele, há casos na festa que já acontecem na quarta ou na quinta geração.

Entre os pratos que Cipriano ajuda a preparar está a guimirella, um espeto de fígado enrolado em banha e assado com folha de louro que, segundo ele, é exclusividade da festa: não se encontra em nenhum restaurante do Brasil. A ficazzella, chamada de panzerotto na Itália, uma massa frita recheada de queijo, tomate e orégano, e o ricciatelle, um formato de massa em orelhinha típica de Bari, completam o cardápio que remete diretamente à receita trazida pelos imigrantes em 1918.
Quem coordena as chamadas "mamas" da festa é Margareth Batelli Capellini, que trabalha no evento há 46 anos e hoje é a primeira mulher, em 108 anos de história, a ocupar o cargo de vice-presidente da associação.
Ela é da segunda geração da família na festa; as filhas já são a terceira, e os netos começaram a se envolver agora. “A nossa festa nada mais é que família, amor, união”, diz Capellini, que também comandou o trabalho voluntário de preparação das comidas de terça a domingo.
A festa é a principal fonte de recursos da Associação Beneficente São Vito Mártir, que mantém uma creche com média de 100 crianças atendidas gratuitamente, além de apoiar famílias em situação de vulnerabilidade.

Toda a renda obtida durante as festividades é empregada na manutenção da Paróquia São Vito e em obras sociais. Nos anos recentes, o evento chegou a atrair mais de 80 mil visitantes por edição, com ingressos a partir de R$ 75 na praça de alimentação externa e de R$ 145 para acesso à cantina principal aos sábados.
O estado de São Paulo abriga hoje aproximadamente 10 milhões de descendentes de italianos, conforme estimativas, a maior comunidade desse tipo fora da Itália, resultado da onda migratória que, entre 1887 e 1915, trouxe cerca de 800 mil italianos para a província de São Paulo, chegando a representar 90% dos 50 mil trabalhadores das fábricas paulistas em 1901.
Vale mencionar que, em número de cidadãos italianos registrados oficialmente nos consulados, e não de descendentes, o Brasil não lidera. A Argentina concentra o maior contingente, com 1,2 milhão de registros, contra cerca de 920 mil no Brasil, ainda que São Paulo esteja entre as cidades com mais italianos residentes fora da Itália, ao lado de Londres e Buenos Aires.
Por Sputinik Brasil
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