Geral

Quem é Mancha, traficante do PCC solto pelo STJ e preso de novo pelo TJMG

Traficante foi interrompido em sua soltura por nova decisão judicial.

Estadao Conteudo 04/07/2026
Quem é Mancha, traficante do PCC solto pelo STJ e preso de novo pelo TJMG
PCC - Foto: © telegram SputnikBrasil

O traficante Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como "Mancha", aliado do Primeiro Comando da Capital (PCC) e preso desde março, quase foi solto por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas uma nova decisão da Justiça de Minas Gerais, assinada nesta quinta-feira, 2, barrou a sua saída.

O traficante já havia passado pelo sistema penitenciário anteriormente e chegou a ser levado à prisão domiciliar, mas rompeu a tornozeleira eletrônica, saiu do Brasil e passou a usar identidade falsa.

Ele ficou foragido por meses até ser capturado em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, no dia 15 de março deste ano, durante uma operação que envolveu agentes da Polícia Federal (PF), da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e apoio da polícia boliviana.

Douglas encontra-se atualmente preso na Penitenciária de Francisco Sá, a 488 quilômetros de Belo Horizonte, e é apontado como fundador da Tropa do Douglas, facção aliada ao PCC.

Ele era procurado pela Justiça Federal do Pará por suposto envolvimento em um esquema de tráfico que pretendia levar mais de 300 quilos de cocaína para Portugal, escondidos em uma carga de açaí. Ademais, possuía um mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça de Minas Gerais, sendo investigado por tráfico internacional e interestadual de drogas, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

Segundo nota do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG), divulgada na época de sua prisão, em março, Douglas era considerado uma das principais lideranças do narcotráfico no Estado, com atuação no tráfico transnacional de drogas e ligação com diversas facções criminosas.

Entenda o caso

O ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou a soltura do traficante. A Justiça de Minas Gerais chegou a expedir um alvará de soltura e a impor medidas cautelares para que ele fosse liberado. No entanto, antes que a ordem fosse cumprida, uma nova decisão judicial, assinada nesta quinta-feira, 2, impediu sua saída da prisão.

Na avaliação do ministro, a soltura de Douglas era cabível pois a defesa demonstrou que ele exerce atividade econômica lícita como sócio majoritário da empresa Subzero Delivery Bebidas e Derivados Ltda., da qual detém 60% das cotas. O ministro também destacou que "Mancha" possui residência fixa, vínculos familiares estáveis e é pai de três crianças, fatores que, segundo ele, afastariam a manutenção da prisão preventiva.

Messod sugeriu que Mancha cumprisse medidas cautelares diversas da prisão, como a proibição de se ausentar do país, a entrega do passaporte, o uso de tornozeleira eletrônica e a obrigatoriedade de se apresentar mensalmente à Justiça.

Pouco após a decisão do STJ, o juiz Roberto Oliveira Araújo Silva, do 2º Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte, decretou a prisão temporária de "Mancha" por 30 dias no âmbito da investigação sobre o assassinato de Paulo Roberto Ziviani Rodrigues, ocorrido em 2018.