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Sinal de emprego fraco dos EUA estimula alta do Ibovespa, em sintonia com NY e Europa

Resultados do relatório de vagas nos EUA influenciam o desempenho das bolsas

Estadao Conteudo 02/07/2026
Sinal de emprego fraco dos EUA estimula alta do Ibovespa, em sintonia com NY e Europa
Sinal de emprego fraco dos EUA estimula alta do Ibovespa, em sintonia com NY e Europa - Foto: Reprodução

O relatório do mercado de trabalho norte-americano guia o Ibovespa no pregão desta quinta-feira, 2, véspera de feriado no país pela independência dos Estados Unidos (4 de julho). O resultado abaixo do esperado na geração de vagas nos EUA em junho empurra para cima os índices de ações do Ocidente e joga para baixo a maioria dos rendimentos dos Treasuries nesta manhã, além de valorizar o real.

Ainda fica no radar nesta manhã a participação do ministro da Fazenda, Dario Durigan , no evento. Na quarta-feira, dia 1º, ele disse que a subvenção para conter a alta da gasolina será revertida na semana que vem, após decisão na mesma linha para o diesel, com a estabilização dos preços dos combustíveis.

Informado nesta quinta, o payroll mostrou menor criação de vagas de emprego nos EUA do que o esperado, o que limita os debates sobre altas de juros pelo Federal Reserve (Fed) em 2026 e, com eficiência, influências estimativas para a política monetária brasileira. Em Nova York, as bolsas sobem com menor força do que o Ibovespa.

“O investidor brasileiro é um pouco mais otimista”, diz Bruna Centeno , economista, conselheira e sócia da Blue3 Investimentos . A expectativa de consumo do mercado de trabalho “fomenta o apetite por risco, com aposta de que o Fed não eleve os juros de maneira tão firme em 2026”, afirma Centeno. A sócia da Blue3 lembra que o fluxo de estrangeiros saiu da B3, em parte devido ao otimismo com inteligência artificial e expectativas por aumento dos juros americanos.

De acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA , houve geração de 57 mil empregos em junho, ante previsão de geração de 110 mil pontos. Além disso, alguns resultados passados ​​foram revisados ​​para baixo.

“Foi bem mais fraco do que o mercado imaginava e ainda reviam muito para baixo as divulgações anteriores”, diz Gustavo Cruz , estrategista independente.

Em meio aos dados, as apostas de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) em setembro deste ano se dissipam, ainda mais com a indicação de rompimento na inflação por conta de desaceleração em preços de energia, devido à recuperação do petróleo, lembra Cruz. “Diria que essa é a grande consequência desse relatório de trabalho”, afirma o estrategista Gustavo Cruz.

A taxa de desemprego dos Estados Unidos, por sua vez, caiu para 4,2% em junho, após 4,3% em maio - mesmo nível esperado pelos analistas. Já o salário médio por hora avançou um pouco mais do que o previsto. Na margem, subiu 0,35% (previsão: 0,30%) e teve alta de 3,52% em relação a junho de 2025, contra expectativa de 3,5%.

A despeito da indicação de apetite por risco, Centeno diz que é preciso avaliar os dados de emprego dos EUA com cuidado. “O relatório indica uma ideia e a Mary Daly , do Fed, disse outra”, afirma o estrategista da Blue3.

Nesta quinta, a presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly , afirmou que o banco central americano precisa calibrar cuidadosamente a condução da política monetária diante das incertezas sobre a inflação e a atividade econômica. "Isso deixa o mercado sensível. Até o presidente do Fed, Kevin Warsh , disse que não dará direção de política monetária."

Entre as commodities, o minério de ferro subiu 0,48% em Dalian, na China, enquanto o petróleo recua em torno de 1%, com o Brent na faixa dos US$ 70 o barril. O declínio do petróleo, no entanto, é insuficiente para influenciar a maioria das ações do setor para baixo, inclusive da Petrobras .

A queda do petróleo sugere rompimento diante das expectativas de inflação e da Selic, o que estimula alta de algumas ações mais sensíveis ao ciclo econômico na B3.

Na quarta-feira, o Índice Bovespa fechou em baixa de 0,20%, aos 171.688,61 pontos. Às 11h38 desta quinta, o Ibovespa subia 0,50%, aos 172.553,38 pontos, ante alta de 1,59%, na máxima em 174.425,69 pontos, e mínima em 171.697,17 pontos (alta de 0,01%) e abertura em 171.697,90 pontos, com variação zero.