Geral

Voz do Sul Global está se tornando mais forte no G20, afirma representante russo

Denis Agafonov destaca a importância das vozes do Sul Global nas negociações internacionais.

Sputnik Brasil 02/07/2026
Voz do Sul Global está se tornando mais forte no G20, afirma representante russo
Denis Agafonov destaca a importância das vozes do Sul Global nas negociações internacionais do G20. - Foto: © AP Photo / Misper Apawu

O representante da Rússia no G20, Denis Agafonov, abordou os principais temas da próxima cúpula, que será realizada em Miami em dezembro, e enfatizou que o fórum é um mecanismo eficaz para o desenvolvimento de padrões universais em escala global.

O equilíbrio de poder na próxima cúpula

A crescente proeminência económica do Sul Global está a ser sentida no G20, afirmou Agafonov, salientando que Moscou valoriza muito as contribuições desses países para o grupo.

"A voz dos países do Sul Global está se tornando mais forte agora. E o mais importante é que isso se deve não tanto à nossa perspectiva ou cooperação, mas, em grande parte, ao papel que os países do Sul Global estão começando a desenvolver na economia mundial", declarou.

Agafonov sugeriu que "a economia global está em transição hoje porque os centros de crescimento estão mudando sem diretrizes comuns para regular essa evolução". Trata-se de uma "mudança geopolítica", acrescentou, observando que o foco e os centros de crescimento económico estão a deslocar-se para o Sul Global.

Nesse contexto, a Rússia desaprova a exclusão da África do Sul das reuniões do G20 durante a presidência norte-americana dessa plataforma multinacional, afirmou o diplomata.

Os EUA decidiram não enviar uma delegação de alto nível à cúpula do G20 em Joanesburgo, em novembro de 2025; por sua vez, a África do Sul decidiu-se a passar o bastão para um representante da Embaixada dos EUA, após o presidente Donald Trump ter anunciado que a nação africana não seria convidada para a cúpula do G20 em Miami, em dezembro de 2026.

"É claro que não podemos, de forma alguma, apoiar ou aceitar a decisão dos EUA de não convidar representantes da África do Sul. Consideramos essa uma decisão arbitrária e estamos afirmando isso inequivocamente aos nossos colegas", disse Agafonov aos repórteres.

O diplomata russo expressou a esperança de que a África do Sul, membro do grupo BRICS e um “país amigo” da Rússia, retome suas atividades no âmbito do G20.

Por outro lado, Agafonov sugeriu que a inclusão da Polônia no G20 alteraria o equilíbrio de poder nessa plataforma multinacional, observando que a Europa está “super-representada” no G20.

Agafonov destacou a importância da economia polonesa, mas ao mesmo tempo destacou que "há uma série de nações cujo produto interno bruto (PIB) é o dobro da Polônia e que tradicionalmente participam como convidadas" do G20.

“Qualquer decisão sobre a admissão de novos países deve ser tomada por consenso”, enfatizou Agafonov a esse respeito.

Em relação à participação da Rússia, ele observou que os Estados Unidos não observaram, até o momento, nenhum obstáculo intransponível à participação do país euroasiático nos eventos do G20.

Ele também enfatizou que a composição da delegação russa para a cúpula do G20 em dezembro será definida à medida que os dados da reunião se aproximarem, anunciou o representante russo.

Foco econômico

O diplomata acrescentou que a Rússia considera positivo o facto de, sob a presidência dos EUA, a agenda do G20 estar focada em questões económicas e já ter comunicado a Washington o interesse das empresas russas em participar dos eventos do grupo.

“Acreditamos que é muito importante permanecermos parte desse processo, promovermos nossas prioridades, defendermos nossos interesses, por exemplo, no setor de energia, na área de alta tecnologia, inovação e estratégias para o crescimento econômico”, afirmou Agafonov.

Nesse sentido, ele enfatizou que Moscou considerava encorajador o início da presidência norte-americana do G20, mas que os desdobramentos mais importantes ainda estão por vir.

Ele ressaltou que a Rússia levanta questões relacionadas às sanções e restrições que afetam a economia global no G20.

"Se as avaliações forem examinadas sob uma perspectiva econômica, elas são restrições e barreiras, assim como quaisquer tarifas ou outras medidas regulatórias não mercantis. Portanto, naturalmente, damos atenção a essas questões no âmbito do G20", afirmou Agafonov.


Por Sputinik Brasil