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Manifestantes pressionam Senado por fim da escala 6 x 1 em atos no Brasil
Trabalhadores, sindicalistas e movimentos sociais ocuparam o Vão Livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, nesta terça-feira (30), no dia nacional de mobilização pelo fim da escala 6 x 1 e pela redução da jornada de trabalho sem corte de salário.
O ato em São Paulo integrou uma série de manifestações simultâneas convocadas em capitais e cidades de todo o país pelas centrais sindicais, pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT).
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que extingue a escala 6 x 1, hoje fixada em 44 horas semanais com um único dia de folga, e institui a jornada de 40 horas com dois dias de descanso, foi aprovada por ampla maioria pela Câmara dos Deputados em 27 de maio.
Desde então, o texto aguarda análise no Senado Federal, sem despacho da Presidência da Casa, relator designado ou encaminhamento a qualquer comissão.
Nesta quarta-feira (1º), o Senado realiza sessão para debater efeitos sociais, econômicos e produtivos da mudança na jornada de trabalho, com a presença de representantes das centrais sindicais. No mesmo dia, está prevista uma reunião entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e representantes das centrais sindicais para tratar da PEC.
Mauricio Forte, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Mogi das Cruzes, afirmou que o objetivo do ato é pressionar os senadores a votar rapidamente a proposta já aprovada pela Câmara. Para ele, o fim da escala 6 x 1 beneficiaria sobretudo as mulheres, já que "a mulher que tem um dia de folga por semana ela não folga, o dia que ela fica em casa ela vai limpar a casa dela e muitas vezes lavar até roupa", disse, destacando o impacto da medida especialmente para trabalhadoras do setor de serviços.
Fátima dos Santos, funcionária do quadro de apoio escolar da rede estadual de São Paulo, descreveu a luta pela redução da jornada como histórica para a classe trabalhadora. Segundo ela, que é militante do Partido Operário Revolucionário, a pauta "pode se ampliar se a classe operária, se os trabalhadores como um todo entrarem nessa luta".
Fátima também disse estar desconfiada quanto à tramitação no Senado, que classificou como ligada à bancada patronal — em referência às pressões de entidades empresariais, que pedem a flexibilização do texto ou o adiamento da votação para depois das eleições de outubro.
Para ela, a garantia está na mobilização: "A confiança tem que ser na nossa própria força, na nossa própria luta de rua".
Sobre os benefícios da medida, Fátima apontou dois efeitos diretos: a geração de empregos, já que a redução da carga horária amplia o número de vagas necessárias, e o alívio da dupla jornada enfrentada pelas mulheres, que poderiam dedicar mais tempo à família e a si mesmas com menos horas de trabalho.
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