Geral
Ouro fecha perto da estabilidade e recua 12% no mês com Fed mais cauteloso
Metal registra pior trimestre desde 2013, pressionado por dólar forte, juros elevados e dados resilientes do mercado de trabalho dos EUA
O ouro encerrou a sessão desta terça-feira (30) próximo da estabilidade, em meio às expectativas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) mantenha uma postura mais cautelosa na condução da política monetária. Dados recentes indicaram um mercado de trabalho norte-americano mais resiliente, o que reforça a percepção de juros elevados por mais tempo. No mês, o metal acumulou forte queda e registrou o pior trimestre desde 2013.
Na Comex, divisão de metais da Bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para agosto fechou em baixa marginal de 0,01%, cotado a US$ 4.038,50 por onça-troy. No mês, a queda foi de 12,10%. No trimestre, o recuo chegou a 13,10% — a primeira perda desde 2024 e a mais intensa em 13 anos, segundo levantamento da Reuters. Em seis meses, a desvalorização foi de cerca de 7%.
A prata para julho, por sua vez, avançou 2,23%, a US$ 59,477 por onça-troy. Ainda assim, o metal acumulou perdas de 21,61% no mês, além de recuos de 20,61% no trimestre e de 16% no semestre.
Durante o pregão, o ouro oscilou e chegou ao patamar de US$ 3.900 na mínima do dia, mas conseguiu se recuperar e retornou ao nível de US$ 4 mil.
Na avaliação do Swissquote, o metal entrou em uma zona de consolidação baixista no médio prazo, com possibilidade de uma correção mais acentuada. Ainda assim, o banco considera que o ouro permanece um investimento “atrativo” para investidores de longo prazo.
O Société Générale afirma que, embora a queda pareça “um tanto prolongada”, ainda não há sinais visíveis de uma recuperação significativa. “Caso ocorra uma recuperação de curto prazo, a máxima recente em US$ 4.100 pode atuar como resistência inicial. Um rompimento acima desse nível seria importante para confirmar uma recuperação maior”, avaliou o banco francês.
Nos Estados Unidos, a abertura de postos de trabalho avançou acima do esperado em maio, resultado que não altera as perspectivas de uma postura mais dura do Fed. Para o MUFG, o metal deve permanecer sob pressão no curto prazo, diante da queda nos preços da energia, da força do dólar e das apostas de juros elevados por mais tempo — fatores que “continuam a reduzir a demanda por ativos de refúgio seguro que não geram rendimento”.
Um relatório do Fórum Oficial das Instituições Monetárias e Financeiras (OMFIF, na sigla em inglês) mostrou que o ouro é o investimento que os gestores de reservas de bancos centrais mais querem adquirir.
O mercado também acompanha a viagem de enviados norte-americanos a Doha, no Catar, para reuniões com mediadores das negociações com o Irã. No entanto, segundo o Wall Street Journal, divergências em Teerã ameaçam o andamento das conversas.
*Com informações da Dow Jones Newswires
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