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ONU alerta para risco de surtos de doenças após terremotos na Venezuela
Com hospitais danificados, abrigos superlotados e falta de higiene, agências humanitárias temem avanço de doenças infecciosas entre deslocados
Organizações humanitárias e agências ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU) alertaram nesta terça-feira (30) que o já frágil sistema de saúde da Venezuela está sendo levado ao limite, quase uma semana após dois fortes terremotos atingirem o país. Hospitais danificados e com déficit de profissionais estão sobrecarregados pelo volume de feridos, enquanto pioram as condições nas áreas afetadas, favorecendo a disseminação de doenças infecciosas.
Dezenas de equipes nacionais e seguintes internacionais mobilizadas na Venezuela, técnicas nas buscas por sobreviventes. O número oficial de mortos já ultrapassa 1,7 mil, e novos corpos continuam sendo retirados dos escombros.
Enquanto isso, uma crise humanitária se agrava entre os sobreviventes. Agências da ONU manifestaram preocupação com os impactos à saúde de milhares de pessoas deslocadas, que dormem há dias ao relento ou em abrigos superlotados, condições sem especificações de higiene.
Autoridades venezuelanas informaram que mais de 15,8 mil pessoas foram afetadas por terremotos — número que corresponde ao total oficial de desalojados, segundo a porta-voz da agência da ONU para refugiados, Carlotta Wolf. Sem moradia de uma hora para outra, muitos venezuelanos passaram a dormir em carros, parques e outros locais, diante da falta de abrigos emergenciais suficientes.
Wolf afirmou que esse número deve continuar aumentando. Segundo ela, muitos deslocados no estado de La Guaira, ou mais atingidos, enfrentam grave escassez de alimentos.
Em entrevista coletiva em Genebra, nesta terça-feira, o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Christian Lindmeier, alertou que venezuelanos deslocados, sem acesso a banheiros, chuveiros, sabonetes ou alimentação adequada, estão cada vez mais vulneráveis a surtos de doenças evitáveis, como o sarampo, em razão das baixas taxas de vacinação. As condições também favorecem a propagação de doenças transmitidas pela água e por vetores, como dengue, febre amarela e malária.
Sistema de tap frágil
O sistema de saúde venezuelano, enfraquecido por décadas de falta de investimentos e anos de crise econômica, está sob extrema pressão, com unidades funcionando além de sua capacidade para atender ao aumento dos casos de trauma, afirmou Lindmeier.
Segundo o governo, os terremotos da semana passada danificaram ou comprometeram 38 hospitais em todo o país. A OMS informou que avaliou, até o momento, 21 dessas unidades. Três deixaram de funcionar completamente, outros seis sofreram danos e os demais operaram sob forte pressão, devido ao grande número de feridos.
A OMS informou ainda que muitos médicos especialistas continuam desaparecidos sob os escombros, incluindo responsáveis pelos serviços de maternidade em La Guaira. A situação agravou os desafios do sistema de saúde de um país que cerca de 8 milhões de pessoas — entre eles muitos médicos e enfermeiros — emigraram nos últimos anos.
“As avaliações revelam uma prestação de serviços caótica e um fluxo de pacientes marcado pela superlotação, aumento das filas para cirurgias e colapso das medidas de biossegurança”, afirmou Lindmeier. Ele acrescentou que o colapso dos serviços forenses e dos necrotérios, além do registro inadequado das vítimas, dificulta dimensionar a extensão da tragédia.
Números da tragédia
O governo da Venezuela, que há anos mantém rígido controle sobre o acesso à informação, divulga boletins diários sobre o número de vítimas. Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, anunciou na segunda-feira que o balanço oficial chegou a 1.719 mortos e 5 mil feridos. Ele também alertou a população para que não compartilhe informações que contrariem os dados oficiais.
Especialistas afirmam que o número oficial de mortos provavelmente está abaixo da realidade, já que muitas pessoas seguem desaparecidas e as esperanças de encontrar sobreviventes diminuem a cada dia.
A Nasa estima que quase 59 milhões de edifícios foram danificados ou destruídos pelos terremotos, ou que elevou o número de pessoas afetadas em uma casa de centenas de milhares. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) informou nesta terça-feira que 680 mil crianças precisam de assistência humanitária em todo o país.
As autoridades não divulgaram um número oficial de desaparecidos, fazendo com que muitos venezuelanos recorressem a bancos de dados digitais administrados por organizações não governamentais para registrar familiares desaparecidos. Um desses cadastros listou pelo menos 43.220 pessoas desaparecidas.
Com informações da Associated Press (AP).
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