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Homem que empurrou ex-mulher de penhasco de 50 metros em MG é indiciado por seis crimes
Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
O homem que confessou ter empurrado a ex-companheira de um penhasco de 50 metros, na Serra do Rola-Moça, em Belo Horizonte (MG), no fim de maio, foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de tentativa de feminicídio, estupro, tortura, roubo, sequestro e cárcere privado, além do descumprimento de medida protetiva. A conclusão do inquérito que investigou Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos, foi apresentada nesta segunda-feira, 29. O Estadão tenta localizar a defesa dele.
Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, de 41 anos, sobreviveu à queda e ficou mais de 24 horas até ser encontrada e resgatada pelo Corpo de Bombeiros. Ela não teve ferimentos graves e recebeu alta no dia seguinte ao resgate, em 27 de maio. Após a conclusão, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público (MP), que poderá ou não denunciar o indiciado.
"Depois de muita insistência, ele confessou para o genro dele que de fato tinha empurrado ela lá. Os policiais militares, tão logo conseguiram localizá-lo, gravaram ele confessando o delito. Já na delegacia, ele não confessou, manteve-se no direito de prestar informações somente em juízo. Mas, com as provas testemunhais e também com o vídeo feito pela Polícia Militar, concluímos que realmente ele é o autor de todos esses delitos", afirmou a delegada Gislene Rios.
Na entrevista coletiva desta segunda-feira, a Polícia Civil também informou que, antes de empurrar a mulher no penhasco, o indiciado obrigou que ela fizesse sexo oral nele. "Ele sempre foi uma pessoa que teve comportamentos de violência doméstica. A gente conseguiu comprovar também que isso ocorreu pelo fato de ela ser mulher. E aí, pelo fato de ser mulher, ele queria realmente subjugá-la perante ele", disse a delegada.
Segundo o inquérito, Ana Cláudia havia terminado o relacionamento com Silvanildo em fevereiro pela quantidade de perseguições e ameaças que recebia. Mesmo assim, ele continuou perseguindo a mulher no local de trabalho e na escola da filha. Ao menos desde 2020, a relação tinha episódios de violência.
A investigação apontou que a vítima chegou a se mudar de Ribeirão das Neves para Belo Horizonte e, mesmo assim, o homem seguiu indo até a casa dela. Isso motivou um pedido de medida protetiva por parte dela. Os dois têm uma filha de 9 anos, e o indiciado se aproveitou do momento em que ela levava a criança para escola para sequestrá-la, ameaçando com uma faca e trancando ela no carro.
De acordo com o inquérito, o homem empurrou a mulher do penhasco somente na terceira tentativa. Em uma ele foi impedido por uma testemunha e em outra a mulher conseguiu se agarrar e não ser jogada. Conforme a polícia, os crimes cometidos por Silvanildo foram premeditados. Ele também informou um local errado para a polícia quando a vítima estava desaparecida.
Ainda segundo a polícia, o indiciado, que trabalhava como motorista por aplicativo e açougueiro, já agrediu uma passageira e foi banido de uma plataforma para a qual trabalhava. Ele foi preso em 26 de maio, em Várzea da Palma, a mais de 300 km da capital mineira.
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