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Confiança nos governos permanece estável, mas pessoas ainda não se sentem ouvidas, aponta OCDE
A confiança nos governos nacionais de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) parou de cair e entrou em fase de estabilidade, mas ainda num patamar baixo e com um alerta claro: as pessoas não se sentem ouvidas. É o que mostra a pesquisa do bloco de países sobre confiança, apresentada no relatório da OCDE sobre os Determinantes da Confiança nas Instituições Públicas.
Em média, 40% dos entrevistados dizem ter confiança alta ou moderadamente alta em seus governos nacionais, enquanto 43% relatam baixa ou nenhuma confiança. O resultado indica uma estagnação após a queda registrada em anos anteriores, sem sinais de recuperação consistente.
O levantamento, que abrange 33 países membros e, pela primeira vez, cinco candidatos à adesão, também revela que a confiança costuma ser significativamente maior em instituições mais próximas do cotidiano, como polícia, tribunais, governos locais e serviço civil, do que no governo nacional.
O dado mais contundente está na percepção de participação: há uma diferença de 47 pontos porcentuais entre quem sente que tem voz nas decisões políticas e quem não sente, quadro praticamente inalterada nos últimos anos. Embora 68% acreditem que o voto influencia o que o governo faz, apenas 31% acham que "pessoas como elas" têm influência nas decisões. O recado se mostra claro: votar já não basta para que cidadãos se sintam escutados.
A OCDE também aponta que usuários avaliam melhor serviços específicos: 54% satisfeitos com saúde, 60% com educação e 68% com serviços administrativos , mas a confiança cai quando o tema é a capacidade do governo de tomar decisões difíceis, equilibrar interesses e se preparar para desafios futuros.
Os 33 países participantes da OCDE foram: Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Coreia, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, México, Países Baixos, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Portugal, República Eslovaca, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido. Os 5 países em processo de adesão foram: Bulgária, Brasil, Croácia, Peru e Romênia.
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