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Israel avança para reconhecer genocídio armênio em meio à tensão com a Turquia
Gabinete israelense aprovou por unanimidade proposta que classifica mortes de armênios pelo Império Otomano como genocídio; medida ainda depende do Parlamento
O Gabinete de Israel aprovou por unanimidade, neste domingo (28), uma proposta para classificar como genocídio a violência cometida contra os armênios pelo Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial. A medida, que ainda precisa passar pelo Parlamento, ocorre em meio ao agravamento das relações entre Israel e Turquia.
Há anos, a Turquia atua para impedir que outros países reconheçam oficialmente as mortes em massa de armênios, por volta de 1915, como genocídio. O governo turco nega essa classificação, sustenta que o número de vítimas foi exagerado e afirma que as mortes ocorreram em contexto de guerra civil e distúrbios.
Em reação à decisão israelense, a Turquia classificou a medida como um gesto “motivado politicamente”, destinado, segundo Ancara, a desviar a atenção das ações de Israel contra os palestinos.
“O governo israelense, que persegue sistematicamente o povo palestino aos olhos do mundo inteiro e está sendo julgado no Tribunal Internacional de Justiça por genocídio contra o povo de Gaza, pretende encobrir seus próprios crimes”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Turquia, em comunicado.
“Essa tentativa maliciosa, que desconsidera fatos jurídicos e históricos, revela a situação difícil de Binyamin Netanyahu e seus cúmplices, contra os quais pesam mandados de prisão relacionados à investigação de crimes cometidos contra palestinos no Tribunal Penal Internacional”, acrescentou a nota.
Historiadores estimam que até 1,5 milhão de armênios foram mortos pelos turcos otomanos no período da Primeira Guerra Mundial. O episódio é amplamente considerado por estudiosos como o primeiro genocídio do século 20.
Durante décadas, Israel evitou tratar oficialmente do tema, em parte para não provocar atritos com a Turquia. A relação entre os dois países, no entanto, deteriorou-se nas últimas duas décadas, especialmente em razão dos conflitos em Gaza, no Líbano e no Irã.
“Apesar da extensa e inequívoca documentação histórica, o Genocídio Armênio continua sendo, até hoje, alvo de uma campanha institucionalizada de negação e minimização, incluindo uma reescrita manipuladora da história, principalmente por parte do governo turco”, afirmou o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, responsável por levar a proposta ao governo.
Saar observou que líderes israelenses, incluindo o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, já haviam descrito a violência contra os armênios como genocídio. O reconhecimento, porém, nunca havia sido formalizado por meio de votação no Knesset, o Parlamento de Israel.
“Nunca é tarde demais para fazer a coisa certa”, declarou Saar no domingo, ao classificar a iniciativa como um “dever moral e histórico”. Segundo ele, 32 países, entre eles Estados Unidos, Síria e Líbano, já reconheceram a violência contra os armênios como genocídio.
Ainda não havia previsão imediata de quando a decisão aprovada pelo Gabinete israelense seria encaminhada ao Parlamento para votação.
Israel e Turquia já foram aliados próximos, mas as relações se enfraqueceram durante a ascensão do presidente turco Recep Tayyip Erdogan. O desgaste levou Israel a reconsiderar sua posição sobre o reconhecimento do genocídio armênio.
Ao mesmo tempo, Israel enfrenta acusações recorrentes, inclusive de órgãos das Nações Unidas e da própria Turquia, de que sua ofensiva em Gaza equivaleria a genocídio. O governo israelense, país fundado após o Holocausto, nega as acusações.
Israel iniciou a guerra em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. O Ministério da Saúde de Gaza, vinculado ao governo do Hamas, afirma que mais de 73 mil pessoas foram mortas, cerca de metade delas mulheres e crianças.
Israel sustenta que não tem civis como alvo e acusa o Hamas de usar a população como escudo humano. Na semana passada, uma equipe de especialistas independentes designada pelas Nações Unidas acusou Israel de atirar deliberadamente contra crianças em Gaza e reiterou acusações de genocídio. O governo israelense classificou o relatório como uma “farsa caluniosa”.
Nota: Este conteúdo foi traduzido com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão.
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