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França avalia retaliação após Burkina Faso romper relações por ingerência nos assuntos internos
A França estuda adotar medidas de retaliação após Burkina Faso anunciar o rompimento das relações diplomáticas com Paris, informou neste sábado (27) o Ministério das Relações Exteriores francês.
“As medidas de retaliação que poderão ser aplicadas com base no princípio da reciprocidade estão atualmente em análise”, afirmou a chancelaria francesa em comunicado.
Ao mesmo tempo, Paris lamentou a decisão de Uagadugu, classificando-a como “hostil e totalmente injustificada”. Segundo o ministério, a medida "reflete a política preocupante" adotada pelo governo burquinês.
A pasta acrescentou ainda que acompanha com atenção a situação de segurança de seus funcionários e cidadãos em Burkina Faso e orientou os franceses que permanecem no país a reforçarem as medidas de precaução.
Ruptura profunda afastamento entre Burkina Faso e França
O governo de Burkina Faso anunciou na última sexta-feira (26) o rompimento das relações diplomáticas com a França, ao afirmar que Paris violou os princípios da confiança recíproca, do respeito mútuo e da não ingerência nas questões internas de um Estado soberano.
Em comunicado, o ministro das Comunicações, Gilbert Ouedraogo, acusou o governo francês de agir contra os interesses do país africano, além de apoiar redes subversivas e grupos terroristas que atuam na região do Sahel. Segundo ele, a França também promove uma campanha para transformar o país em uma “pária da comunidade internacional”.
A decisão marca um novo capítulo no processo de distanciamento entre Burkina Faso e sua antiga potência colonial. Desde o golpe militar de 2022, que levou Ibrahim Traoré ao poder, o país passou a adotar uma política externa externa para reduzir a influência francesa na região.
Sob a liderança de Traoré, Burkina Faso fortaleceu a cooperação com Mali e Níger por meio da criação da Aliança dos Estados do Sahel (AES). Em setembro de 2025, os três países anunciaram conjuntamente a sua retirada do Estatuto de Roma, tratado que instituiu o Tribunal Penal Internacional (TPI), alegando que o corte é utilizado como instrumento político pelos países ocidentais.
Por Sputinik Brasil
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