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Semana Mundial da Alergia alerta para prevenção e diagnóstico

Campanha reforça a importância de identificar sintomas, buscar atendimento especializado e controlar doenças alérgicas

Agência Brasil 21/06/2026
Semana Mundial da Alergia alerta para prevenção e diagnóstico
Semana Mundial da Alergia reforça diagnóstico, prevenção e controle dos sintomas.

Dados da Organização Mundial de Alergia (WAO, na sigla em inglês) apontam que 30% da população mundial tem algum tipo de alergia. No Brasil, o cenário se repete.

Os brasileiros alérgicos formam “uma multidão, um país dentro de outro”, afirmou à Agência Brasil a presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), Fátima Rodrigues Fernandes.

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“São vários tipos de doenças ocasionadas por uma alteração do nosso sistema imunológico, que respondem de maneira mais exacerbada a estímulos, causando inflamações”, explicou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2050, metade da população global poderá ter alergias. Um dos fatores de preocupação são as mudanças climáticas, que favorecem a maior exposição de pessoas a alérgenos.

A rinite alérgica atinge cerca de 30% da população brasileira. Entre as crianças, o percentual é de aproximadamente 26%; entre adolescentes, chega a 30%, segundo dados do Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância (Isaac), aplicados em diversos estados do país.

A asma alérgica também tem alta prevalência no Brasil, alcançando cerca de 20% da população. No mundo, uma doença que afeta aproximadamente 260 milhões de pessoas e está associada a mais de 450 mil mortes por ano. Os principais sintomas são falta de ar, chiado no peito, tosse, cansaço e dor no peito, frequentemente após esforço físico ou até mesmo ao falar e rir.

Outra condição com impacto significativo na qualidade de vida é a dermatite atópica, doença crônica da pele, não contagiosa, que pode atingir pessoas de todas as idades. Ela afeta especialmente as crianças — cerca de 20% —, sendo que 5% apresentam uma forma mais grave.

Segundo a Asbai, cerca de 60% dos casos começam no primeiro ano de vida. Entre adultos, estima-se que 3% tenham dermatite atópica. As vistas intensas e as lesões na pele podem levar a quadros de ansiedade e, em alguns casos, depressão.

Campanha

A Semana Mundial da Alergia será realizada de 21 a 27 deste mês, organizada pela WAO e, no Brasil, pela Asbai. A tem iniciativa como objetivo incentivar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças alérgicas, que aumentam a cada ano. O tema da campanha é Cuidado com a Alergia é Cuidado Essencial , com foco na saúde de toda a família.

Fátima cita a rinite como exemplo de uma das alergias mais frequentes. Os sintomas incluem sintomas constantes no nariz ou nos olhos, espirros repetidos, coriza e obstrução nasal, mesmo sem resfriamento.

“A pessoa dorme com a boca aberta, tem perturbação no sono, mas não liga. Ela acostumou e pensa que aquilo é o normal dela. Mas não é. A pessoa pode ter uma qualidade de vida melhor se ela se cuidar”, afirmou o presidente da associação.

Como a campanha coincide, no Hemisfério Sul, com o início do inverno, a entidade reforça o alerta sobre os sintomas das doenças alérgicas. A recomendação é que os pacientes procurem um médico especialista, como alergista ou imunologista, para controlar os sintomas.

O especialista explicou que, na maioria das vezes, a alergia tem origem genética e, portanto, não tem cura, mas pode ser controlada. “Se controlado, o indivíduo pode ficar totalmente sem sintomas”, disse. Para isso, é preciso identificar o tipo de alergia, o alérgeno que desencadeia o problema e instituir o tratamento adequado.

Além de entrevistas com especialistas, disponíveis no site da Asbai e nas redes sociais da entidade, a campanha terá eventos voltados ao público em regiões de várias partes do país. As ações vão mostrar como são feitos os exames para diagnóstico de alergias e dúvidas claras da população.

Testes

Como orientação geral, a médica destaca a importância da consideração dos sintomas. Ela menciona a asma, especialmente problemática nesta época do ano. "Os prontos-socorros ficam cheios de crianças, adolescentes e idosos com problemas pulmonares e infecções. A asma é uma doença que pode ser bem mais grave, colocando, inclusive, em risco a vida do paciente", alertou.

No inverno, pessoas com problemas de proteção devem procurar atendimento médico, de preferência com um especialista. O diagnóstico pode ser feito por meio de testículos alérgicos na pele ou por coleta de sangue.

De acordo com Fátima, qualquer que seja o tipo de teste, ele contribui para identificar a causa da alergia, prevenir novos sintomas e preparar o paciente para lidar melhor com a doença, com mais qualidade de vida.

“O importante é diagnosticar, cuidar e permitir que o indivíduo tenha uma vida normal, e não simplesmente isolada”, afirmou.

Além das alergias respiratórias, os médicos citam as alergias alimentares, que também podem resultar em quadros graves; como dermatites, que podem limitar a rotina do paciente; e as urticárias, bastante incômodas e específicas à qualidade de vida.

A campanha também chama atenção para as pessoas que cuidam de pacientes alérgicos. Como a alergia é hereditária, muitas famílias concentram o cuidado na criança alérgica e acabam negligenciando sintomas de adultos, como rinite no pai ou asma na mãe.

Fátima orienta que todos os membros da família façam acompanhamento quando necessário. “A gente costuma dizer que, quando se fala de alergia, o tratamento não é só do paciente; é de toda a família.” Segundo ela, alergias relacionadas à poeira e aos ácaros bloqueiam a atenção ao ambiente doméstico e aos hábitos de todos os moradores, para melhorar a qualidade de vida geral.

Orientações

Para garantir mais qualidade de vida, a Asbai recomenda algumas medidas:

• O diagnóstico não é o fim, mas o início do controle. Seguir o tratamento prescrito ajuda a prevenir crises graves.

• Sintomas como tosse persistente, espirros constantes, observação na pele e falta de ar não devem ser normalizados. Eles podem indicar alergias ainda não expostas.

• A alergia é uma doença grave, não “frescura”. Informação segura é o caminho para proteger a saúde médica e evitar receitas caseiras sem comprovação.

• O tratamento vai além dos medicamentos. O controle de poeira, mofo e ácaros no ambiente doméstico é parte essencial do cuidado.