Geral
Corte da Selic mantém atratividade dos pós-fixados e favorece renda variável
Especialistas avaliam que juros ainda elevados sustentam opções conservadoras, enquanto a Bolsa pode ganhar fôlego com a queda da taxa básica
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, na quarta-feira (17), uma redução de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros, a Selic, para 14,25% ao ano. A decisão foi unânime. Com o novo corte, os investidores avaliam quais aplicações tendem a se beneficiar no cenário econômico atual.
Confira, a seguir, os principais destaques apontados por especialistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Diversificação na renda fixa
Na renda fixa, o ambiente de volatilidade, combinado a juros ainda elevados, mantém os títulos pós-fixados como alternativa mais atrativa, segundo analistas. Para Marcelo Freller, estrategista de investimentos do C6 Bank, esse tipo de aplicação reúne menores riscos e retornos ainda relevantes.
“O pós-fixado é o que tem o menor risco e retornos altos, ao contrário do pré-fixado, que tem bastante volatilidade e, no cenário pré-eleitoral e com o ambiente geopolítico ainda cheio de riscos, não se torna tão atraente”, explica Freller.
O especialista acrescenta que, no cenário pré-eleitoral, ainda não é possível prever quando ocorrerá uma queda mais consistente das taxas de juros reais no Brasil, embora elas estejam focadas em limiar considerado alto por muitos analistas.
“Então, o Tesouro IPCA+ 2032, com rentabilidade de IPCA + 8,20% ao ano, também não parece ser tão atrativo neste momento”, destaca Freller.
Impacto marginal para os títulos pós-fixados
Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, lembra que o corte anunciado pelo Copom já era esperado e estava precificado pelo mercado, o que tende a gerar impacto marginal nos títulos pós-fixados. Para ele, o ponto mais relevante é o tom do comunicado do Banco Central e a sinalização para as próximas reuniões.
"O boletim Focus colocou expectativa de Selic em 13,75% para este ano, ou seja, temos espaço somente para um ou dois novos cortes ao longo dos próximos meses. Em algum momento, o Banco Central vai ter que pausar os cortes de juros e esperar para ver como será o comportamento do mercado", afirmou.
Na avaliação de Rodrigo Moliterno, da área de renda variável da Veedha Investimentos, a redução da Selic também pode favorecer os títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+.
“São aqueles rumos que têm uma fração de inflação mais o juro fixo”, afirma Moliterno.
O mesmo raciocínio vale para os títulos prefixados, que ainda apresentam taxas superiores ao CDI e podem ser beneficiados pelo fechamento da curva de juros. Na renda fixa, esses papéis estão entre aqueles que podem sentir impacto positivo mais relevante, segundo o especialista.
Atratividade na Bolsa
Para Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, o momento ainda exige cautela no mercado de renda variável, diante da expectativa de inflação acima da meta, ponto que vem sendo alertado pelo Banco Central nas últimas reuniões.
"O corte é bom para os ativos de renda variável. Todo corte de juros tem um percentual percentual benéfico e acaba beneficiando os ativos de bolsa", afirma.
Moliterno avalia que, na renda variável, o corte da Selic tende a ter impacto mais expressivo.
"Quando fazer a avaliação de uma empresa e trazer a empresa a valor presente, ao descontar juros menores, o valor presente da ação tende a ser mais alto. Então, para o mercado de renda variável, o impacto é bem positivo, tanto é que hoje os mercados estão se recuperando positivamente", afirmou o especialista na quarta-feira.
Ele ressalta, no entanto, que a melhoria dos ativos também depende do cenário externo.
“A questão do possível fim do conflito com a assinatura do acordo entre EUA e Irã até sexta-feira, atrelada ao cenário de juros caindo, gera um impacto bastante positivo para o mercado de renda variável”, conclui Moliterno.
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