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Juros futuros sobem com dúvidas sobre Copom, fala de Flávio Bolsonaro e atuação de fundos
Curva de DIs avançou pelo quarto pregão seguido em sessão de baixa liquidez, sem referência de Wall Street e com expectativa por ata e Relatório de Política Monetária
Os juros futuros, a partir do trecho intermediário da curva, completaram a quarta sessão consecutiva de alta nesta sexta-feira (19). O pregão foi marcado por baixa liquidez, em razão da ausência de negócios em Wall Street e de uma agenda econômica esvaziada.
O viés de alta observado pela manhã ganhou força à tarde, levando as taxas a avançarem em toda a extensão da curva. O movimento ocorreu na esteira de declarações do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e de ajustes técnicos conduzidos por fundos locais.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 ficou em 14,255%, ante 14,246% no ajuste e 14,235% no fechamento anterior. O DI para janeiro de 2028 marcou 14,820%, contra 14,737% no ajuste e 14,700% no fechamento de quinta-feira.
O DI para janeiro de 2029 projetava 14,940%, ante 14,843% no ajuste e 14,765% no fechamento anterior. Já a taxa do DI para janeiro de 2031 subiu para 14,885%, depois de 14,762% no ajuste e 14,690% no fechamento da véspera.
Sem a referência dos Treasuries, títulos do Tesouro norte-americano, o desconforto com o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) continuou influenciando a curva. Segundo o economista Felipe Rodrigo de Oliveira, da MAG Investimentos, a sessão teve poucos elementos objetivos, com o feriado nos Estados Unidos reduzindo a liquidez e os investidores aguardando a ata e o Relatório de Política Monetária (RPM) da próxima semana para compreender melhor a avaliação do Banco Central.
O mercado de juros destoou do desempenho positivo de outros ativos domésticos. Investidores ainda avaliavam o teor do comunicado do Copom, que abriu espaço para a interpretação de que o comitê poderia tolerar níveis de inflação acima da meta. Por isso, a expectativa pela ata e pelo RPM aumentou.
Para o economista Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, os próximos documentos e a entrevista coletiva dos dirigentes sobre o RPM poderão corrigir falhas de comunicação e apresentar cenários alternativos para a trajetória da Selic. Segundo ele, isso ajudaria o mercado a compreender a fundamentação técnica da decisão.
“Houve grande exagero na reação do mercado, em boa parte derivado de uma comunicação ruim”, afirmou Goldenstein. Para o economista, o Copom poderia ter usado, como já fez no passado, um cenário de Selic constante, e não apenas a trajetória prevista no Boletim Focus. Com eventual ajuste na comunicação, ele avalia que a curva tende a devolver parte dos prêmios.
A partir do meio da tarde, as taxas renovaram máximas, com alguns vértices se aproximando da marca de 15%. Foi o caso do DI para janeiro de 2029, que chegou a 14,985%. “O maior destaque foi a fala do Flávio, com alguns pontos que vão contra o ajuste fiscal que deve ser necessário em 2027”, afirmou Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren.
Em entrevista ao SBT News, Flávio Bolsonaro disse que, se vencer a eleição, não pretende acabar com os pisos constitucionais da saúde e da educação, nem com a vinculação do salário mínimo à inflação. Também afirmou que não pretende realizar uma reforma da Previdência. O senador defendeu um “tesouraço” em ministérios e nos custos da burocracia, além de cortes de impostos.
A reação negativa ocorreu porque parte do mercado vê Flávio Bolsonaro como contraponto ao expansionismo fiscal atribuído ao governo Lula, que tenta a reeleição.
Além disso, profissionais das mesas de renda fixa relataram que, perto do período de definição das taxas de ajuste, entre 16h10 e 16h20, houve forte atuação de fundos locais tomados em juros, aproveitando a baixa liquidez para puxar a curva. A percepção geral foi de que o volume movimentado nesta sexta-feira ficou abaixo da metade do giro padrão.
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