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Fazenda mira 37 fintechs suspeitas de movimentar recursos de bets ilegais

Decreto assinado nesta sexta-feira permite ao governo bloquear administrativamente valores ligados a apostas irregulares

Estadao Conteudo 19/06/2026
Fazenda mira 37 fintechs suspeitas de movimentar recursos de bets ilegais
O ministro da Fazenda, Dario Durigan - Foto: Reprodução

O Ministério da Fazenda estima que 37 fintechs, que operam sem autorização específica do Banco Central por serem de pequeno porte, movimentem grande parte dos recursos de bets ilegais no País. Por isso, essas instituições devem estar entre os principais alvos de um decreto assinado nesta sexta-feira, que autoriza o governo a bloquear administrativamente esses valores.

“Temos indícios de que essas 37 instituições financeiras que deram movimentação às bets ilegais são reincidentes e têm proximidade com outras investigações que correm na Polícia Federal, nos órgãos competentes e na inteligência da Receita”, afirmou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, durante entrevista coletiva sobre o tema.

Ainda não há estimativa oficial sobre o volume de recursos que poderá ser bloqueado e destinado ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) com base no decreto. Segundo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, no entanto, trata-se de um montante bilionário, considerando os valores apurados em operações do órgão e da Polícia Federal contra bets ilegais.

Na quinta-feira (18), a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 145 milhões em uma operação contra bets ilegais que haviam sido autorizadas a funcionar irregularmente pelo município de Bodó (RN). De acordo com Barreirinhas, a Receita identificou movimentação de R$ 50 bilhões no local, o que aponta para um fluxo expressivo de recursos por meio de instituições financeiras.

“Agora, nós temos um instrumento muito poderoso de asfixia desse pilar financeiro dessas organizações criminosas”, declarou o secretário da Receita.

Aperto regulatório

O governo informou que não pode divulgar a lista das instituições investigadas. Segundo a secretária de Prêmios e Apostas, Daniele Cardoso, a maior parte delas é formada por instituições de pagamento (IPs) que atuam sem autorização do Banco Central por ainda não terem atingido o volume mínimo de recursos movimentados que exigiria a autorização.

O Banco Central vem reforçando o cerco regulatório a esse tipo de instituição. Desde setembro de 2025, todas as novas IPs precisam solicitar autorização para funcionar, independentemente do volume movimentado. A autarquia também elevou as exigências de capital social para a atuação de IPs e de outras instituições do sistema financeiro.