Geral
Governo de SP muda monitoramento hídrico e inclui efeitos de El Niño e La Niña
Nova metodologia amplia série histórica para 15 anos e prevê avaliação mensal das faixas de contingência na Região Metropolitana de São Paulo
O governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira (19) mudanças na metodologia de monitoramento da segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). O novo modelo passará a considerar uma série histórica de 15 anos, incluindo períodos marcados por fenômenos climáticos como El Niño e La Niña.
Segundo o Estado, a atualização tem como objetivo ampliar a capacidade de antecipação de riscos em um cenário de mudanças climáticas e reforçar a segurança do abastecimento.
A ampliação da série histórica, que antes começava em 2021, permitirá incorporar às projeções períodos de eventos climáticos extremos e episódios recentes de estiagem. De acordo com a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, Natália Resende, a medida ajuda a compreender melhor o comportamento dos reservatórios. “Conseguimos ver, indiretamente, como os reservatórios se comportam. Normalmente, na La Niña há uma redução das chuvas; no El Niño, um aumento”, afirmou.
As alterações também incluem uma curva específica para o Sistema Cantareira, responsável por cerca de metade da disponibilidade hídrica do Sistema Integrado Metropolitano (SIM). Além disso, haverá mudança na periodicidade de avaliação das faixas de contingência, que passarão a ser analisadas mensalmente pelas agências reguladoras.
De acordo com a diretora-presidente da SP Águas, Camila Viana, o Sistema Cantareira apresenta comportamento distinto dos demais mananciais que compõem o SIM. No ciclo 2025/2026, o sistema registrou volume de chuvas equivalente a 62% da média histórica, ante 90% em 2024/2025, o que justificou a adoção de parâmetros próprios de acompanhamento.
Natália Resende afirmou que as mudanças integram a estratégia climática do Estado e buscam ampliar a capacidade de prevenção diante de cenários de escassez hídrica. Segundo ela, São Paulo executa atualmente o maior programa de resiliência hídrica de sua história, com mais de R$ 25 bilhões em investimentos. “Mesmo em um cenário de escassez crônica, estamos aumentando muito a nossa resiliência”, disse.
Faixas de atuação
As faixas de atuação previstas permanecem inalteradas. Elas variam de 1 a 7 e servem como referência para a adoção gradual de medidas de contingência. A faixa 1 prevê o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA), enquanto as faixas seguintes contemplam gestão de demanda noturna de 8, 10, 12, 14 e 16 horas e, por fim, rodízio entre regiões. Em todas as etapas, também estão previstas ações de comunicação e suporte à população.
Segundo o diretor-presidente da Arsesp, Diego Domingues, a principal mudança está na periodicidade da avaliação. “O que muda é que, em vez de adotarmos o prazo de sete dias para avançarmos de faixa e 14 dias para voltarmos à faixa anterior, passaremos a avaliar mensalmente o cenário no Comitê de Integração das Agências”, afirmou.
Obras de resiliência hídrica
A secretaria também atualizou o cronograma de obras voltadas à segurança hídrica. Entre as entregas recentes da Sabesp estão as transferências Itapanhaú e Guaratuba, que acrescentaram 2,2 mil litros por segundo à oferta de água bruta. Outros R$ 525 milhões estão sendo investidos na implantação de 31 reservatórios na Região Metropolitana de São Paulo.
Até o fim de 2026, estão previstas intervenções nas ETAs Rio Grande e Baixo Cotia, com acréscimo conjunto de 1,5 mil litros por segundo à capacidade do sistema. Para 2027, está prevista a conclusão da transposição Billings-Taiaçupeba, que adicionará mais 4 mil litros por segundo.
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