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MASP apresenta "Confluências", exposição individual da artista colombiana Carolina Caycedo

Com obras desenvolvidas a partir de diálogos com atingidos por barragens no Brasil e na Colômbia, a mostra reúne fotografias, instalações, vídeos e Arpilleras do MAB, tensionando os impactos do extrativismo e da crise climática

Assessoria 19/06/2026
MASP apresenta 'Confluências', exposição individual da artista colombiana Carolina Caycedo
- Foto: Arpillera Siembra

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) apresenta, de 3 de julho a 4 de outubro de 2026, a exposição “Carolina Caycedo: Confluências”. A produção da artista colombiana (nascida em Londres, Reino Unido, 1978) funciona como um ponto de encontro entre a arte contemporânea, os saberes ancestrais ribeirinhos e as estratégias de resistência de movimentos sociais latino-americanos. O título da mostra refere-se tanto à convergência física dos cursos de água quanto ao encontro de pessoas, culturas e ideias rurais e urbanas.

Com uma trajetória marcada por múltiplos processos migratórios, Caycedo trabalha de forma colaborativa para reconstruir a memória comunitária dos bens comuns, que englobam desde o espaço público urbano até os rios e montanhas ameaçados pelas economias extrativistas.

Diálogo com o Brasil e o papel do MAB

A exposição apresenta um panorama abrangente da obra de Caycedo, destacando criações recentes desenvolvidas no contexto brasileiro e suas costuras com as lutas de outras regiões da América Latina. A artista participou do 4º Encontro Internacional de Atingidos por Barragens e Crise Climática, em Belém (PA), onde conversou diretamente com comunidades atingidas por crimes ambientais e projetos de infraestrutura. Durante a imersão, coletou materiais e depoimentos de participantes do Movimento Internacional dos Atingidos por Barragens, por Crimes Ambientais e Pela Crise Climática. Esses materiais nutrem o corpo conceitual da mostra “Confluências”.

Um dos pontos altos da exposição é a colaboração direta com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). No dia 04 de julho, às 15h, o evento contará com uma mística realizada por mulheres atingidas do Espírito Santo. Além disso, a exposição conta com duas arpilleras, uma delas desenvolvida com a participação da Carolina Caycedo. A técnica têxtil chilena de costura sobre juta, utilizada historicamente como ferramenta de denúncia e resistência política, foi resgatada pelo Coletivo de Mulheres do MAB a fim de denunciar as violações ambientais, sociais, econômicas e culturais que atingem essas mulheres em decorrência do modelo energético adotado no Brasil.

Uma das peças de destaque é a arpillera mineira confeccionada em outubro de 2019 por mulheres atingidas em Brumadinho (MG). A obra têxtil retrata o cotidiano da comunidade após o rompimento da barragem de rejeitos da Mina do Córrego do Feijão (Vale S.A.), ocorrido em 25 de janeiro de 2019, que resultou em 272 vítimas fatais. Costurada com detalhes impressionantes — como helicópteros de resgate, lama, animais submersos e o próprio tecido de um uniforme da mineradora em seu verso —, a peça funciona como um manifesto visual contra a busca pelo lucro extraordinário em detrimento da segurança humana e ecológica.

"A crise climática tem rosto, tem cor e tem endereço. Nós somos o rosto destas crises", afirma o manifesto de mulheres do Piauí e do Espírito Santo que integram as narrativas da mostra, denunciando os impactos desde a lama de rejeitos no Rio Doce até a instalação verticalizada de grandes parques de energia solar sem consulta prévia às comunidades tradicionais.

ATARRAYA: a performance como Geocoreografia

Caycedo define essas práticas comunitárias e ancestrais, como pescar, lavar ouro à mão ou conduzir mulas, como geocoreografias: atos políticos em que o corpo expandido se torna uma ferramenta de permanência e rebeldia contra o medo provocado pelo deslocamento forçado. Em contraponto aos muros impermeáveis e monumentais das barragens construídas pelo capital corporativo, a rede de pesca (atarraya) surge como um símbolo de porosidade, flexibilidade e soberania hídrica e alimentar.

A mostra propõe, por meio do método do sentir-pensar (sentir para poder pensar), o desapego à distância crítica e fria da academia tradicional, convidando o espectador a se engajar diretamente na defesa da diversidade biocultural global.

Serviço

Exposição: Carolina Caycedo: confluências

Período: 3 de julho a 4 de outubro de 2026

Local: MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Endereço: Av. Paulista, 1578 - Bela Vista, São Paulo - SP

Abertura: Dia 3 de julho, com mística das mulheres do MAB (Espírito Santo).