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Europa precisa ver o mundo de forma menos ‘americocêntrica’, dizem analistas

Pesquisa aponta queda inédita na confiança dos europeus nos EUA; especialistas avaliam desgaste histórico na relação transatlântica.

Sputnik Brasil 18/06/2026
Europa precisa ver o mundo de forma menos ‘americocêntrica’, dizem analistas
Bandeiras dos EUA e da União Europeia em meio à crise de confiança entre aliados - Foto: © telegram SputnikBrasil

A confiança dos europeus nos Estados Unidos atravessa uma baixa sem precedentes. Segundo pesquisa publicada pelo Conselho Europeu de Relações Exteriores, apenas 11% dos cidadãos entrevistados em 15 países da Europa consideram os EUA um aliado confiável.

À Sputnik Brasil, Vinicius Modolo Teixeira, professor de geopolítica, afirmou que o desgaste na relação transatlântica é antigo e remonta à criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), considerada um marco da aliança entre Estados Unidos e Europa.

O grande prestígio norte-americano no continente europeu foi consolidado durante a Segunda Guerra Mundial, quando os europeus passaram a ver os EUA como os “salvadores da barbárie nazista”, conforme avalia o internacionalista Williams Gonçalves.

Hoje, no entanto, Gonçalves considera que a tutela dos Estados Unidos sobre a Europa chegou ao fim. Para ele, o atual governo norte-americano trata os europeus como “ultrapassados”.

“Trata assim como utensílios antigos, velhos, que têm que ir para o antiquário, que não têm mais serventia, são inadequados no novo mundo”, afirmou.

Para Charles Pennaforte, professor de geopolítica, a pesquisa que aponta queda recorde na confiança dos europeus em relação aos EUA reflete, sobretudo, a política da administração Donald Trump em relação à Europa, marcada por sinais de menosprezo. A atuação norte-americana no Oriente Médio também pesa na percepção dos europeus sobre Washington.

“A Europa tem que passar agora a ver o mundo de uma outra maneira, uma visão não ‘americocêntrica’, vamos dizer assim, e olhar para a realidade. Os tempos estão mudando e, se não diversificarem as parcerias, eles ficarão cada vez mais isolados”, avaliou Pennaforte.