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Ministério da Saúde lança PADI Brasil com R$ 500 milhões para cuidado domiciliar de idosos
Programa prevê equipes multiprofissionais para atendimento em casa e integra estratégia do SUS diante do envelhecimento da população
Durante agenda no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (18), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou investimentos inéditos para o atendimento domiciliar de idosos e destacou o protagonismo do Brasil na construção de regras globais mais justas contra futuras pandemias.
O Ministério da Saúde está intensificando ações em três frentes para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS): no cenário interno, com a ampliação do atendimento especializado na casa de idosos brasileiros; e, no exterior, com a liderança em acordos para evitar desigualdades em futuras crises sanitárias, além de parcerias voltadas ao fortalecimento de programas da pasta, como o Mais Médicos e o Agora Tem Especialistas.
Nesse contexto, Padilha anunciou o PADI Brasil (Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa), iniciativa que relaciona o envelhecimento da população brasileira à necessidade de modernização da saúde pública.
PADI Brasil: Atenção Domiciliar para Idosos
O envelhecimento populacional é um dos grandes desafios das próximas décadas. Para enfrentá-lo, o Ministério da Saúde lançou a primeira estratégia nacional exclusiva para idosos com limitações funcionais. Com a expectativa de vida chegando a 76 anos e seis meses em 2024, a demanda é urgente: 80% dos idosos brasileiros dependem exclusivamente do SUS.
Segundo o Ministério da Saúde, o novo programa contará com investimento de quase R$ 500 milhões em recursos federais até 2027. Mais de 2.700 municípios já solicitaram adesão. A pasta estima a atuação de mais de 3.300 equipes multiprofissionais, formadas por médicos, geriatras, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas.
“A gente calcula hoje tem cerca de 3 milhões de idosos acamados no Brasil, que são acompanhados, cadastrados pelas equipes de Atenção Primária em Saúde do SUS. Então, já de início desse programa, a gente consegue atender ainda mais da metade desses cerca de 3 milhões de idosos em todo o país. Junto com Farmácia Popular, que garante remédio para hipertensão, diabetes e as fraldas geriátricas, junto com o ‘Agora Tem Especialistas’, que estão reduzindo o tempo das pessoas, na espera das pessoas para uma cirurgia, para cirurgia de catarata, para os exames especializados, a gente está reorganizando o SUS para cuidar melhor dos idosos do nosso país”, afirmou o ministro.
Durante o lançamento, a médica Guilhermina Maria Galvão Siqueira Gomes, pioneira da atenção domiciliar na cidade do Rio de Janeiro nos anos 1990, foi homenageada por inspirar o modelo nacional.
Para lidar com os desafios do envelhecimento e das mudanças climáticas, o Brasil tem buscado intercâmbio com países que também possuem sistemas públicos universais, como Reino Unido, Espanha, França e Austrália. O ministro Alexandre Padilha destacou a dimensão e a singularidade do modelo brasileiro.
“Nenhum país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes tem um sistema nacional público como o nosso. [...] nós temos feito cooperação com esses países para ver como que eles enfrentam os seus desafios”, disse Padilha.
Essa troca internacional está sendo aplicada diretamente na modernização do programa Mais Médicos, que acaba de completar 13 anos, com 67 milhões de pacientes atendidos, e do Agora Tem Especialistas. A prioridade é a saúde digital. Padilha explicou o impacto direto da telessaúde para a população.
“Você poder colocar esse médico que tá lá na ponta, na área remota, no sertão, na Amazônia, na periferia de uma grande cidade, em contato com um centro especializado para resolver o problema de saúde mais rápido lá para a população”, completou.
Acordo global sobre pandemias
Além de modernizar o atendimento primário, o Brasil assumiu a liderança na articulação do Acordo Global sobre Pandemias, aprovado em 2025. O objetivo é garantir o compartilhamento obrigatório de tecnologias e insumos desde o início das emergências, protegendo profissionais de saúde e populações vulneráveis.
Padilha criticou a exclusão do Sul Global no cenário farmacêutico atual. “Muitas vezes o patógeno é descoberto num país em desenvolvimento e as grandes empresas, instituições dos países desenvolvidos, vão lá, identificam a vacina e a vacina nunca chega para o país em desenvolvimento”, afirmou o ministro.
A cobrança por regras mais justas já chegou às maiores potências. Na recente cúpula do G7, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, lançaram uma carta aberta exigindo apoio internacional para que os países mais pobres não voltem a ficar no fim da fila.
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