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Rússia e China reconhecem Brasil livre de aftosa e ampliam perspectivas para o país na Eurásia

Aval sanitário de Moscou e Pequim fortalece exportações brasileiras de proteína animal em meio a restrições de EUA e União Europeia.

Sputnik Brasil 18/06/2026
Rússia e China reconhecem Brasil livre de aftosa e ampliam perspectivas para o país na Eurásia
Brasil busca ampliar exportações de carne após aval sanitário de Rússia e China - Foto: © Folhapress / Rivaldo Gomes

O Brasil obteve recentemente o reconhecimento de Rússia e China como território livre de febre aftosa. O avanço ocorre em um momento de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos e de resistência da União Europeia (UE), que, no início de junho, estabeleceu restrições à importação de carne brasileira, apesar do acordo de livre comércio com o Mercosul.

Nesse cenário, as exportações brasileiras de proteína animal tendem a ganhar maior espaço no eixo eurasiático, especialmente diante das barreiras impostas por Bruxelas. A avaliação é de Beatriz Bandeira de Mello, doutora em Relações Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em entrevista à Sputnik Brasil.

“A gente acaba de sair da aprovação do acordo entre Mercosul e UE, um acordo por si só complicado, com ações protecionistas, principalmente do setor agrícola francês. Justamente [nesse momento] vem o contraponto de Rússia e China, dizendo que o país tem condições de exportar carne, o que representa a estratégia de expansão brasileira para mercados não só na Ásia, mas na Eurásia de modo geral”, afirmou.

Em nota oficial publicada no último dia 10, o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, destacou que a decisão do governo russo amplia as condições de acesso dos produtos brasileiros àquele mercado, impulsiona as cadeias de proteína animal e consolida a posição do Brasil como fornecedor seguro, confiável e competitivo no cenário internacional.

“A decisão contribui para ampliar as condições de acesso de produtos brasileiros ao mercado russo, com destaque para as cadeias de proteína animal, e reforça a posição do Brasil como fornecedor seguro, confiável e competitivo para os mercados internacionais”, informou o ministério.

Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o país reúne as condições necessárias para retomar o posto de principal fornecedor de proteína animal ao mercado russo, repetindo o protagonismo registrado em períodos anteriores.

“É um mercado de peso para nós. Estatisticamente, se a gente voltar ao passado há 50 anos, o Brasil era um grande fornecedor de carne para a Rússia. Naquela época não tinha a China [como importadora] ainda. Então, basicamente, a Rússia que fazia, às vezes, o nosso grande mercado consumidor, principalmente de carne”, comentou.

Moscou e Pequim podem abrir mercados regionais

A analista Beatriz Bandeira de Mello também observa que a inserção da carne brasileira na Rússia e na China, duas potências econômicas da Eurásia, pode abrir caminho para novos parceiros regionais desses países.

“Eu estava lendo muito recentemente a própria questão da União Econômica Euroasiática, como ela conversa com outros mecanismos regionais. Então, é uma questão de diversificar e de posicionar esses atores. A gente fala muito sobre a Rota da Seda, que tem a liderança chinesa, de reposicionar esses países no centro dessas rotas comerciais, e o Brasil tem observado essas movimentações”, destacou.

O presidente da AEB ressalta que o reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação chancela a qualidade internacional da produção brasileira de proteína animal. Segundo ele, o aval sanitário funciona como uma espécie de selo de garantia para compradores externos.

“Isso é um aval para o comércio brasileiro, porque, a partir desse momento, todos que compram carne no Brasil sabem que têm garantia de que, mesmo sem vacina, a aftosa está controlada, ou seja, não há febre aftosa. Então, para o consumidor, é uma tranquilidade que ele tem ao comprar um produto”, observou.

Brasília intensifica as suas relações com o Sul Global

Outro ponto levantado por Bandeira de Mello diz respeito à movimentação da política externa brasileira, especialmente no comércio exterior. Para a analista, o Brasil busca se projetar como liderança do Sul Global e estreitar laços com países que compartilham diretrizes e interesses semelhantes.

“O Brasil, a meu ver, a nível de política externa, se coloca como um país ativo do Sul Global. Isso envolve levar os interesses não só do país, mas também das alianças com países que têm compatibilidade de diretrizes e princípios. O que impede uma ruptura total com o que a gente está mais acostumado, digamos assim. Então, acho que a postura do Brasil tem sido a de manter uma certa equidistância entre esses polos”, concluiu.

No mercado internacional, a diversificação de parceiros é estratégica. Quando há sanções, tarifas ou restrições por parte de um eixo político regional, a tendência é que mercados em outras regiões do globo sejam aquecidos. Em um mundo cada vez mais multipolar, um único grupo de países já não consegue exercer a mesma influência direta de outros períodos.

Por Sputnik Brasil