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Commodities em queda e comunicado do Copom limitam alta do Ibovespa
Bolsa tenta acompanhar o bom humor em Nova York, mas recuo do petróleo e do minério e dúvidas sobre a Selic mantêm investidores cautelosos.
O ambiente mais tranquilo no exterior, após a confirmação da assinatura de um acordo de paz provisório entre Estados Unidos e Irã, não foi suficiente para empolgar o Ibovespa nesta quinta-feira, 18, depois de quatro sessões consecutivas de queda.
A cautela prevaleceu no início do pregão diante do recuo do petróleo, com queda de 3,48% no Brent e de 4,09% no WTI, além da baixa de 1,13% do minério de ferro em Dalian. Os investidores também repercutiram o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgado na véspera.
Na quarta-feira, 17, o colegiado do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, mas apresentou um texto considerado pouco claro sobre os próximos passos da taxa básica de juros. “Não deu nenhum direcionamento claro”, avaliou Bruna Centeno, economista, advisor e sócia da Blue3 Investimentos.
Nos Estados Unidos, segundo Centeno, o tom positivo reflete a assinatura do acordo de paz provisório entre EUA e Irã, além da postura mais dura do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
No Brasil, afirma Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, o foco permanece na repercussão do comunicado do Copom, visto como confuso pelo mercado. De um lado, o Banco Central reconheceu a piora do cenário inflacionário, com inflação e expectativas mais altas, atividade econômica em aceleração e riscos adicionais ligados a estímulos à demanda e ao clima. De outro, recorreu a elementos pouco usuais, como a antecipação do horizonte relevante, para justificar o corte de juros e manter aberta a possibilidade de novas reduções.
Antes da decisão do Copom, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano nos Estados Unidos, conforme o esperado. Na primeira reunião sob o comando do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, o dirigente surpreendeu o mercado com um tom mais duro, sugerindo alta das taxas ainda em 2026. Nesta quinta-feira, o Banco da Inglaterra também manteve sua taxa básica inalterada, em 3,75%, como previsto.
Pela manhã, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ver espaço para novos cortes da taxa básica de juros pelo Banco Central. “Eu sigo achando que tem espaço para novos cortes, mas isso, sem dúvida nenhuma, é uma competência do Banco Central”, disse, em entrevista ao portal Metrópoles.
No comunicado, o Copom surpreendeu ao citar o primeiro trimestre de 2028 já no texto de junho, período que só passaria a ser considerado horizonte relevante a partir da próxima reunião. Essa “rolagem” do horizonte explicaria, em grande medida, a redução anunciada na quarta-feira, mesmo diante da elevação da projeção do próprio Banco Central para a inflação de 2027, de 3,5% para 3,7%, e do aumento das expectativas do mercado.
Para Bruna Centeno, da Blue3, a antecipação do horizonte mostra que o Copom está bastante preocupado. Nesse contexto, o colegiado também alterou suas projeções para a inflação, movimento que já havia sido antecipado pelo mercado.
No comunicado, o Banco Central elevou sua estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, de 4,6% para 5,2%. No Boletim Focus divulgado na segunda-feira, 15, a mediana para o IPCA deste ano subiu de 5,11% para 5,30%.
Para a 4Intelligence, a ata do Copom e o Relatório de Política Monetária, previstos para a próxima semana, devem esclarecer as simulações com trajetórias alternativas de juros consideradas na decisão do colegiado.
“Nossa avaliação é que os modelos oficiais indicarão espaço bastante estreito, possivelmente inexistente, para novos cortes. Assim, projetamos manutenção da Selic em 14,25% ao ano até, ao menos, meados de 2027”, afirmou a consultoria em nota.
Segundo Igor Monteiro, CEO da EqSeed, a leitura do comunicado é de que o Banco Central iniciou uma redução gradual dos juros, mas sem sinalizar pressa. “Houve espaço para o corte agora, porém ainda não há segurança suficiente para assumir um ritmo contínuo de redução da Selic”, disse, também em nota.
Na quarta-feira, o Ibovespa fechou em baixa de 0,70%, aos 168.453,93 pontos. Nesta quinta-feira, abriu praticamente estável, aos 168.466,84 pontos, com alta de 0,01%. Em seguida, renovou mínima aos 167.913,41 pontos, queda de 0,32%, antes de migrar para o campo positivo e atingir máxima de 169.223,81 pontos, avanço de 0,46%.
Em Nova York, o destaque era o Nasdaq, com alta de 1,30%. O S&P 500 avançava 0,90%, enquanto o Dow Jones subia 0,38%.
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