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Fed mantém juros por unanimidade e cita conflito no Oriente Médio ao avaliar inflação
Banco central dos EUA manteve a taxa entre 3,50% e 3,75% e reforçou compromisso de trazer a inflação de volta à meta de 2%.
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve nesta quarta-feira, 17, a taxa dos Fed Funds — como é conhecida a taxa básica de juros norte-americana — na faixa de 3,50% a 3,75%. A decisão foi unânime entre os 12 integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) e veio em linha com as expectativas do mercado financeiro.
Esta foi a primeira decisão de política monetária do banco central norte-americano sob a presidência de Kevin Warsh.
Explicações para a decisão
No comunicado, o Fed avaliou que a economia dos Estados Unidos segue em ritmo sólido de crescimento, apesar do elevado nível de incerteza. Pela primeira vez desde a escalada das tensões na região, a autoridade monetária mencionou explicitamente o conflito no Oriente Médio como um dos fatores que contribuem para esse cenário.
Segundo o banco central, a atividade econômica continua sustentada pelo forte crescimento da produtividade e dos investimentos. O mercado de trabalho também permanece resiliente, com a geração de empregos acompanhando a expansão da força de trabalho e a taxa de desemprego registrando pouca variação.
Em relação à inflação, o Fed reiterou que os preços seguem acima da meta de 2% e associou parte dessa pressão a choques de oferta que afetaram determinados setores, incluindo energia. A referência ocorre em meio à volatilidade recente dos mercados de petróleo, influenciados pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
“O Comitê entregará estabilidade de preços”, afirmou o Fed no comunicado, reforçando o compromisso de trazer a inflação de volta à meta.
Gráfico de pontos
O gráfico de pontos do Federal Reserve mostrou uma concentração maior de dirigentes que projetam aumento da taxa de juros nos Estados Unidos em 2026.
O relatório, divulgado juntamente com o comunicado de política monetária, indicou que nove dirigentes esperam alta dos juros no país neste ano. Desse grupo, cinco projetam a taxa entre 4% e 4,25%, três veem uma faixa entre 3,75% e 4%, e um acredita que os juros podem chegar ao intervalo entre 4,25% e 4,5%.
O grupo de dirigentes que prevê aperto monetário supera o daqueles que defendem a manutenção da taxa na faixa atual, entre 3,50% e 3,75%, que reúne oito integrantes.
Um dirigente ainda vê espaço para que a taxa de juros recue para a faixa entre 3,25% e 3,50% em 2026.
Manutenção também na taxa sobre compulsórios e na taxa de desconto
O FOMC também manteve a taxa sobre compulsórios em 3,65% e a taxa de desconto em 3,75%, conforme decisão anunciada nesta quarta-feira.
De acordo com o comunicado, o Fed determinou ainda que a mesa de operações do Fed de Nova York siga realizando operações compromissadas overnight a 3,75% e operações compromissadas reversas overnight a 3,50%, com limite diário de US$ 160 bilhões por contraparte.
Além disso, o banco central norte-americano continuará comprando títulos do Tesouro de curto prazo, conhecidos como bills, e papéis de três anos ou menos, se necessário, para assegurar um nível adequado de reservas no sistema financeiro.
O Fed também rolará integralmente os vencimentos de Treasuries e reinvestirá pagamentos de principal de títulos de agências em T-bills.
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