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Mídia chinesa acusa UE de adotar ‘duplo padrão’ em críticas ao comércio com a China

Editorial do Global Times afirma que análises ocidentais ignoram o superávit europeu no setor de serviços e distorcem a relação econômica bilateral

Sputnik Brasil 17/06/2026
Mídia chinesa acusa UE de adotar ‘duplo padrão’ em críticas ao comércio com a China
UE e China mantêm debate sobre comércio bilateral e déficit em bens e serviços - Foto: © AP Photo / Geert Vanden Wijngaert

A mídia ocidental intensificou o tom de alerta sobre o déficit comercial da União Europeia (UE) em bens com a China, sugerindo que o bloco europeu estaria em desvantagem na relação bilateral. Para a mídia chinesa, no entanto, esta leitura é parcial e ignora outros componentes relevantes do intercâmbio econômico entre as duas partes.

Em editorial recente, o Global Times afirmou que caracterizar a cooperação económica entre a China e a União Europeia como uma perda para os europeus é uma interpretação incompleta, irresponsável e tendenciosa.

Segundo o jornal, as críticas desconsideram o superávit expressivo que a UE mantém com a China no setor de serviços, uma fonte constante de receita que, de acordo com a publicação, costuma ser omitida do debate político no Ocidente.

Dados relatados pela Missão da China junto ao bloco europeu indicam que o déficit chinês no comércio de serviços com a UE chegou a US$ 48,3 bilhões — cerca de R$ 243,4 bilhões — no ano passado. Ainda conforme o editorial, a União Europeia respondeu por 41,6% ao déficit total da balança externa chinesa em serviços.

“Falar apenas do déficit de bens e ignorar o superávit de serviços constitui um duplo padrão injusto e subjetivo, que serve a um determinado discurso político”, argumenta a publicação.

O Global Times também sustenta que parte específica do superávit comercial de bens registrados a favor de Pequim é gerado por empresas europeias instaladas na China.

De acordo com a análise, essas companhias não apenas abastecem o mercado interno chinês, mas também exportam quase 40% de sua produção para a União Europeia e para outros mercados. Embora esse movimento seja contabilizado estatisticamente como a exportação chinesa, o jornal afirma que boa parte dos ganhos financeiros retorna ao próprio bloco europeu.

A publicação ressalta ainda que os laços econômicos entre a China e a União Europeia “estão longe de ser um jogo de soma zero” e representam uma parceria mutuamente benéfica, na qual uma ruptura seria inviável.

“A projeção interna é de que o produto bruto [PIB] per capita da China ultrapasse US$ 14 mil [R$ 70,5 mil] este ano e, com a implementação do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), espera-se uma melhoria significativa no padrão de vida da população chinesa, juntamente com um rápido crescimento na demanda por serviços em áreas como saúde, serviços financeiros e de seguros, cultura e entretenimento, lazer e turismo”, observa o editorial.

Por Sputnik Brasil