Geral
Trump critica atuação de Israel no Líbano e diz que Síria faria 'trabalho melhor'
Presidente dos EUA afirmou que não está satisfeito com as operações israelenses contra o Hezbollah e defendeu que Damasco assuma a dianteira no confronto.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a forma como Israel conduz as operações contra a milícia xiita libanesa Hezbollah e afirmou que a Síria deveria assumir a dianteira no enfrentamento ao grupo.
“Israel está lutando contra o Hezbollah há muito tempo, e muitas pessoas estão sendo mortas”, disse Trump, durante discurso na cúpula do G7, na França, nesta terça-feira, 16. “Você não precisa demolir um prédio de apartamentos toda vez que estiver procurando por alguém. Porque há muita gente nesses prédios. E nem todos são do Hezbollah, disso eu tenho certeza.”
O republicano afirmou que não está satisfeito com as operações israelenses no Líbano. Segundo ele, Tel Aviv deveria ter “terminado o trabalho mais rápido”. “Isso simplesmente não acaba nunca. E, quando isso acontece, lança uma luz negativa sobre o grande acordo, que é o acordo com o Irã”, declarou.
Trump reiterou que não aprovou os ataques israelenses contra posições do Hezbollah em Beirute no domingo, 14, em meio às negociações com o Irã. “Duas horas antes de assinarmos um acordo, Israel atacou o Líbano”, afirmou.
Síria
O presidente americano disse que o presidente interino da Síria, Ahmed Sharaa, faria um trabalho melhor no combate ao Hezbollah.
“Eu sugeri a Israel que deixasse a Síria cuidar do Hezbollah”, afirmou Trump. “Porque, para ser honesto, acho que eles fariam um trabalho melhor.”
Trump elogiou o líder sírio e classificou como positiva a relação entre os dois. “Ele é muito capaz. E tem sido muito bom para mim. Se Israel não conseguir fazer o trabalho sem matar todo mundo, ele fará. A Síria fará o trabalho”, declarou.
G7
Trump participa da cúpula do G7 nesta terça-feira, 16. Ele se reuniu com líderes de diversos países, entre eles Catar e Emirados Árabes Unidos. Antes de retornar aos Estados Unidos, o republicano deve jantar com o presidente da França, Emmanuel Macron, no Palácio de Versalhes, na quarta-feira, 17.
O presidente americano anunciou que chegou a um acordo de paz com o Irã, que deverá ser formalizado em uma cerimônia em Genebra na sexta-feira, 19.
Israel não participou das negociações e demonstrou insatisfação com o acordo. A relação entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, se deteriorou nos últimos dias em razão dos sucessivos bombardeios de Israel no Líbano, apesar dos pedidos de contenção feitos pelos Estados Unidos.
O cessar-fogo no Líbano integra o acordo entre Irã e Estados Unidos, mas Netanyahu declarou que as tropas israelenses não deixarão o sul do território libanês.
Negociação
De acordo com informações da agência Reuters, o Hezbollah recebeu garantias do Irã de que as tropas israelenses terão de sair do Líbano para que a próxima fase das negociações com os Estados Unidos avance.
A milícia xiita disse à Reuters que não haverá “nenhum acordo nuclear entre o Irã e os Estados Unidos sem que os israelenses se retirem do Líbano”. (Com informações da Associated Press).
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