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No G7, Brasil e OMS cobram acordo para conter futuras pandemias

Carta assinada por Lula e Tedros Adhanom pede consenso sobre compartilhamento de patógenos e acesso a benefícios

Estadao Conteudo 16/06/2026
No G7, Brasil e OMS cobram acordo para conter futuras pandemias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Reprodução / Instagram

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, revisaram uma carta em que insta os líderes do G7 a concluem o anexo sobre compartilhamento de patógenos e acesso a benefícios do acordo de pandemias.

O documento foi divulgado na segunda-feira, 15, às margens da cúpula em Évian-les-Bains, onde os líderes do Grupo dos Sete se reúnem. Lula foi convidado pela presidência francesa da cúpula em fevereiro, mas só aceitou o convite no início deste mês.

Na carta, Lula e Tedros afirmam que o anexo é a “última peça do quebra-cabeça, não apenas para o Acordo sobre Pandemias, mas para tudo o que a OMS e os Estados-membros construíram a partir das duras lições da covid-19”.

“Falta apenas uma peça: para responder a futuras pandemias no tempo, os países precisam ser capazes de identificar rapidamente patógenos com potencial pandêmico e compartilhar suas informações genéticas e materiais biológicos para que os cientistas possam desenvolver ferramentas: testes, tratamentos e vacinas que determinam quem vive e quem não vive”, escrevi.

O acordo sobre pandemias foi adotado por consenso pela Assembleia Mundial da Saúde, órgão decisório da OMS, em 2024. O objetivo é unir esforços para prevenir novas crises sanitárias globais.

Os Estados-membros da organização reuniram-se em maio, mas não concluíram o acordo com justiça por falta de consenso sobre a questão dos patógenos. Eles voltarão a se reunir nos dias 6 e 17 de julho.

Lula e Tedros pedem “vontade política no mais alto nível”, “espírito de equidade” e “senso de urgência”.

"As mudanças climáticas, as transformações no uso da terra e a evolução dos sistemas agrícolas estão redesenhando o mapa das regiões onde surgem patógenos perigosos. A crença confortável de que os surtos ocorrem apenas em lugares distantes já não é verdade, e futuros focos podem surgir dentro ou nas proximidades de seus próprios países", afirma.

A carta também foi direcionada aos líderes do G20 e dos Brics.

O documento foi elaborado num momento em que um novo surto de Ébola foi declarado na República Democrática do Congo e no Uganda.

Lula no G7

O presidente brasileiro se reuniu nesta terça-feira, 16, com a estreia do Japão, Sanae Takaichi, às margens da cúpula do G7. No encontro, Lula afirmou que o Japão deve anunciar o início das negociações de um acordo com o Mercosul durante a cúpula do bloco em Assunção, no Paraguai, em 30 de junho.

“Fico muito feliz com essa perspectiva virtuosa de um acordo Japão-Mercosul”, afirmou Lula durante reunião. “Espero que, na próxima reunião do Mercosul, dia 30 de junho, as pessoas possam ter boas notícias.”

“Além dessa boa notícia do Mercosul, eu espero que possamos produzir boas notícias na relação bilateral Brasil-Japão”, continua. A reunião começou por volta das 11h30 no horário local, 6h30 em Brasília, e durou cerca de 30 minutos.

O Mercosul vem trabalhando para ampliar seus acordos comerciais em outros continentes. Além da União Europeia, o bloco assinou acordo com Singapura em 2023 e avançou em negociações com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Índia, Vietnã e Indonésia.

Mais tarde, Lula se reunirá com os líderes do bloco europeu, Ursula von der Leyen e António Costa, para tratar do banimento da carne brasileira dos países da União Europeia.

Em 12 de maio, onze dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, o bloco europeu anunciou a decisão de excluir completamente de seu mercado produtos brasileiros de origem animal. A medida entrará em vigor em 3 de setembro e foi aprovada por unanimidade pelos 27 países.

Na segunda-feira, durante coletiva de imprensa, António Costa desviou dos questionamentos sobre a carne. “Isso é um assunto que tem que colocar à Comissão, é um assunto que a Comissão está a tratar”, respondeu.

"Como sabe, nós com o Brasil fizemos, colado no Mercosul, um grande acordo este ano, que está agora a ser retribuído, que entrou já em pleno vigor. Obviamente, as normas sanitárias têm que ser cumpridas, mas a Comissão Europeia está em diálogo com o Brasil", completou.

“Ficamos um pouco surpresos pela maneira como foi”, admitiu, na semana passada, o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough.

Von der Leyen tem pouco poder para mudar a situação rapidamente, mas pode servir como canal para levar as manifestações brasileiras aos países do bloco.

Nesta segunda-feira, Lula se reuniu com o presidente da Suíça, Guy Parmelin, em Genebra, e com o convidado do G7, Emmanuel Macron. Em Genebra, os presidentes trataram do comércio bilateral e comprometeram-se a trabalhar pela diversificação da pauta de exportações entre os dois países, informou o Planalto.

Um dos temas discutidos foi o acordo Mercosul-EFTA, que envolve, além da Suíça, Islândia, Noruega e Liechtenstein. Para o Planalto, o acordo representa uma oportunidade para ampliar o comércio em um cenário global marcado pelo aumento do protecionismo e do unilateralismo.

A cúpula de líderes ocorre no mesmo hotel, e a circulação de jornalistas é limitada. A cidade de Évian-les-Bains, nos Alpes Franceses, está praticamente situada pelo esquema de segurança.