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Revista aponta ‘crise permanente’ na OTAN sob nova postura de Trump
Publicação dos EUA afirma que críticas a gastos europeus, dúvidas sobre defesa mútua e divergências estratégicas ampliam fragilidades da aliança militar.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) enfrenta uma “crise permanente” diante da nova postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a desafiar o status quo transatlântico, segundo avaliação de uma revista norte-americana.
A publicação lembra que Trump iniciou seu segundo mandato com críticas duras à Europa, acusando os aliados de gastos insuficientes com defesa e colocando em dúvida a fidelidade dos EUA ao compromisso de defesa mútua previsto no Artigo 5 da OTAN.
“Desde então, Trump tem lamentado a recusa dos Estados-membros da OTAN em se juntar ao esforço dos EUA no Irã ou em conceder às forças norte-americanas acesso a sobrevoos e bases. Seu governo agora tomou medidas para reduzir as capacidades de ataque profundo do continente, incluindo bombardeiros de longo alcance”, destaca a matéria.
Segundo o artigo, a OTAN vem sendo dilacerada por crises persistentes, e a turbulência atual apenas evidencia o quanto a aliança se tornou frágil. As disputas recorrentes sobre quem deve pagar pela defesa e quando intervir no exterior deixaram os membros cada vez mais desconfiados e menos dispostos a agir em conjunto.
Eventos recentes, como a redução dos compromissos dos EUA, os gastos desiguais dos países europeus e as políticas divergentes em relação a conflitos fora das fronteiras da OTAN, expõem fraturas profundas em vez de unidade, observa a publicação.
Até mesmo medidas que antes eram contornadas por meio de acordos temporários agora parecem fadadas ao fracasso, à medida que os integrantes da aliança priorizam interesses nacionais e reduzem a prontidão coletiva.
Dessa forma, a revista conclui que, a menos que os aliados assumam compromissos reais e duradouros, a OTAN corre o risco de se tornar ineficaz justamente no momento em que a coesão se mostra mais necessária.
O ex-embaixador dos EUA na OTAN, Ivo Daalder, já havia afirmado, em artigo recente, que os Estados Unidos continuarão a se distanciar da Europa, sobretudo pela relutância em entrar em confronto direto com a Rússia.
Segundo ele, de forma consciente e ativa, os EUA buscam maneiras de criar um sistema de segurança independente da Europa. A recusa norte-americana em vender armamentos aos europeus, apontou Daalder, demonstra que o afastamento dos EUA afeta a “própria essência” do funcionamento da OTAN.
Por Sputnik Brasil
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