Geral
Autoridade Nacional investiga possível vazamento de material radioativo no Ipen, na USP
ANSN apura denúncia anônima sobre possível contaminação ocorrida em maio no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, na Cidade Universitária
A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) investiga uma possível contaminação e vazamento de material radioativo que teria ocorrido em 29 de maio no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), localizado na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista.
Segundo a ANSN, o caso chegou ao conhecimento do órgão por meio de uma denúncia anônima. A autoridade informou que solicitou esclarecimentos ao Ipen para verificar os fatos relatados e que a investigação está em andamento. Até o momento, não há novas informações a serem divulgadas.
A Universidade de São Paulo (USP), responsável pelo campus da Cidade Universitária, o Ipen e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) não responderam às tentativas de contato do Estadão.
Em nota, a ANSN esclareceu que a radiofarmácia do Ipen possui autorização de operação vigente. O órgão também informou que expediu uma notificação ao instituto, com prazo até 18 de junho, contendo dois conjuntos de solicitações.
O primeiro conjunto trata da manutenção das condições de licenciamento da instalação, conforme previsto na regulamentação. O segundo reúne pedidos de esclarecimentos relacionados à denúncia recebida pela autoridade sobre o possível vazamento de material radioativo.
“A notificação garante à instalação o exercício do contraditório e da ampla defesa, sendo que eventuais medidas adicionais dependerão da análise técnica das informações e documentos apresentados pelo Ipen”, diz o comunicado da ANSN.
O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) informaram que encaminharam pedidos de informações às direções do Ipen e da CNEN. As entidades cobram esclarecimentos sobre o caso e sobre as providências adotadas após o início dos relatos de contaminação.
Em nota publicada em seu site oficial, o Sindsef-SP relatou que, conforme informações preliminares, a situação teria exigido procedimentos emergenciais de descontaminação radiológica, retenção de roupas utilizadas por trabalhadores envolvidos — incluindo terceirizados — e atuação da equipe de Proteção Radiológica para controle da ocorrência.
De acordo com o sindicato, parte dos procedimentos de descontaminação teria sido realizada em locais não destinados especificamente a esse tipo de atendimento. A entidade afirma que isso levanta preocupações sobre a adequação da infraestrutura disponível e sobre o cumprimento dos protocolos de segurança exigidos para atividades com materiais radioativos.
No comunicado, o Sindsef-SP atribui o incidente a cortes no orçamento, redução do quadro de pessoal e deficiências na gestão. O sindicato também alerta que servidores que atuam direta e permanentemente com materiais ou substâncias radioativas estariam com exames médicos específicos atrasados há mais de um ano.
A entidade cobra ainda a apuração completa do caso e a divulgação de informações sobre o que teria ocorrido em 29 de maio.
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