Geral

'Busificação': recrutamento forçado na Ucrânia mostra que país já é uma ditadura, diz analista (VÍDEOS)

09/06/2026
'Busificação': recrutamento forçado na Ucrânia mostra que país já é uma ditadura, diz analista (VÍDEOS)
Foto: © AP Photo / AP Photo/Kin Cheung

O fenômeno conhecido popularmente como "busificação" (busifikatsiya, em russo) consiste na captura forçada de homens nas ruas por oficiais ucranianos, em que as vítimas são colocadas em vans e micro-ônibus para enfrentarem, contra a sua vontade, as tropas russas na linha de frente. A medida tornou-se um dos pontos de atrito social na Ucrânia.

Nesse sentido, a imposição da mobilização militar sobre a população masculina, somada às derrotas constantes no confronto, além de desgastar o regime de Kiev, demonstra que ele se tornou uma ditadura, conforme aponta João Cláudio Pitillo, mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do projeto Geoestratégia Estudos, em entrevista à Sputnik Brasil.

"A impopularidade do regime de Kiev levou à 'busificação'. A Ucrânia, tecnicamente, é uma ditadura, corrupta, perdulária, onde não há eleição [presidencial, devido à lei marcial imposta por Zelensky em 2022], não há liberdade política e religiosa, já que a Igreja Ortodoxa russa é perseguida. Além disso, a imprensa está sob tutela. Então, a Ucrânia hoje é um regime autoritário e protofascista perigoso", disse.

O pesquisador, que vem acompanhando a crise ucraniana desde seu início, também enfatiza que esse processo de autoritarismo em curso na Ucrânia pode trazer impactos a nível global, uma vez que as forças ucranianas contam com o apoio de diversos mercenários estrangeiros em suas operações.

"O curioso dessa ditadura é que ela está impregnada de mercenários do mundo todo. E pouca gente tem se feito uma pergunta: ao final do conflito, para onde esses mercenários irão? Isso é perigoso, porque esses mercenários que a Ucrânia tem formado estão fascistizados", destaca.

'Busificação': ato autoritário que se tornou conceito

Pitillo, que também é especialista em conflitos bélicos em diversos períodos, ao contextualizar a 'busificação', explica que esse método, que consiste em sequestrar homens com idade considerada adequada para o combate, se deve, em parte, à baixa adesão dos civis à retórica da Ucrânia contra a Rússia.

"O conceito de 'busificação' vem da palavra bus, do inglês, que serve também para denominar vans e micro-ônibus que carregam pessoas e é usada pelo serviço de segurança ucraniano e pelos recrutadores do Exército, que literalmente sequestram os homens ucranianos. A maior parte da população não vê sentido em lutar contra a Rússia e, portanto, não tem interesse em ir para a linha de frente", comenta.

O descontentamento social manifesta-se não apenas em tentativas de fuga ao alistamento, mas também em episódios de violência física contra agentes de recrutamento, gravados e divulgados na Internet. O analista aponta que essa resistência motivou as autoridades locais a implementar novas táticas de monitoramento e abordagem.

"Essas vans já assustam os homens que podem ser recrutados, e as autoridades ucranianas já mudaram sua tática e passaram a usar outros meios. Por exemplo, vi um caso curioso gravado pela câmera de segurança em que os recrutadores foram a um apartamento fingindo que eram entregadores de mercadoria. Assim que o sujeito abriu a porta para pegar o pacote, foi recrutado à força", observa.

Ucrânia entre a diáspora e a falta de apoio ao regime

À medida que o conflito se estende e as baixas no front aumentam, os métodos impositivos de mobilização militar têm gerado forte reação popular. Para Pitillo, isso demonstra além do desgaste na política interna, uma falta de legitimidade de Zelensky como líder capaz de aglutinar a sociedade, que vem sofrendo com a emigração de seus cidadãos para o exterior.

"A diáspora ucraniana já chega perto de dez milhões de ucranianos que abandonaram o país. Na Ucrânia, há uma parte da população masculina que está escondida para não serem mobilizados e suas mulheres, mães e afins trabalham para sustentá-los com medo de eles serem capturados. Além disso, Zelensky não é reconhecido como um líder", conclui.

O conflito russo-ucraniano, iniciado em 24 de fevereiro de 2022, permanece em um impasse prolongado, apesar de diversas iniciativas internacionais para estabelecer um cessar-fogo. Atualmente, o Estado ucraniano lida com o desgaste socioeconômico de sua população e com uma profunda dependência do suporte militar e financeiro do Ocidente.


Por Sputinik Brasil