Geral
Israel e Líbano retomam negociações nos EUA em meio a bombardeios
Segundo encontro entre representantes ocorre em Washington enquanto ataques intensificam tensões na fronteira
Representantes de Israel e do Líbano se reúnem em Washington nesta terça-feira, 2, e quarta-feira, 3, para uma nova rodada de negociações em busca de uma trégua. Os mediadores libaneses defendem um cessar-fogo abrangente, que impeça futuros ataques. As conversas, iniciadas em abril nos Estados Unidos, marcam o primeiro diálogo direto em mais de três décadas entre os dois países, que não mantêm relações diplomáticas formais.
No entanto, o avanço das negociações ocorre sob forte tensão, após bombardeios israelenses atingirem a região de Nabatiyeh, no sul do Líbano. Segundo a agência estatal National News Agency, um ataque com drone matou um pai e seus dois filhos ao atingir um carro na estrada entre Marjayoun e Nabatiyeh nesta terça-feira. O Exército libanês informou que dois soldados sofreram ferimentos leves em outro ataque com drone na região.
Além disso, um bombardeio na vila de Jibchit matou dois trabalhadores sírios em um viveiro de plantas, enquanto outro ataque na vila de Toul resultou em duas mortes. Uma oitava vítima fatal foi registrada após um veículo ser atingido durante um ataque em Harouf. A National News Agency confirmou as informações e acrescentou que, no dia anterior, seis pessoas morreram em ataques israelenses à vila de Marwaniyeh.
Em resposta aos ataques, o grupo Hezbollah afirmou ter lançado mísseis antitanque contra tropas israelenses que avançavam em direção à vila de Hadatha, a cerca de 7 quilômetros da fronteira. As Forças de Defesa de Israel (IDF) relataram que sirenes de alerta soaram em várias áreas do norte do país. As IDF identificaram um "alvo aéreo suspeito" na região, mas não houve registro de feridos.
Horas depois, Avichay Adraee, porta-voz das IDF em árabe, orientou os moradores da cidade de An-Nabatieh a deixarem suas casas e seguirem para o norte do rio Zahrani. "À luz da violação do acordo de cessar-fogo pela organização terrorista Hezbollah, as IDF são obrigadas a agir com força", afirmou Adraee em publicação na rede X. "Qualquer um próximo a elementos do Hezbollah, suas instalações e meios de combate, coloca sua vida em perigo", acrescentou.
No dia anterior, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Israel e Hezbollah haviam concordado em reduzir os confrontos, após conversa com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e contatos com mediadores ligados ao Hezbollah.
Na segunda-feira, 1º, Israel ameaçou atacar subúrbios ao sul de Beirute, provocando pânico na capital libanesa e forçando milhares de pessoas a buscar abrigo em áreas mais seguras, enquanto o Hezbollah intensificava ataques ao norte de Israel. Após conversas diplomáticas, Trump garantiu que "não haverá tropas entrando em Beirute".
As IDF realizaram recentemente sua mais profunda incursão no território libanês em 26 anos, mas Beirute foi poupada de ataques mais intensos nas últimas seis semanas, exceto por dois bombardeios aos subúrbios do sul em maio.
Os combates dificultam a conclusão de um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio, iniciada após os EUA e Israel atacarem o Irã em 28 de fevereiro. Teerã exige que qualquer proposta inclua um cessar-fogo total no Líbano. O Hezbollah, apoiado pelo Irã, rejeita negociações diretas.
A mais recente onda de confrontos entre Israel e Hezbollah deixou 3.433 mortos no Líbano e mais de 1 milhão de deslocados. Segundo o gabinete de Netanyahu, ao menos 27 soldados israelenses e um contratado de defesa morreram em ou próximo ao sul do Líbano. Dois civis também foram mortos no norte de Israel.
Com informações da Associated Press
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