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Transtornos alimentares podem provocar anemia, fadiga além de perda muscular

Estudo aponta que mais de 20% dos jovens apresentam sinais do problema; médica nutróloga explica impactos no metabolismo, hormônios e funcionamento do organismo

Tríade Comunicação 02/06/2026
Transtornos alimentares podem provocar anemia, fadiga além de perda muscular

Muito além da relação emocional com a comida, os transtornos alimentares podem provocar uma série de prejuízos ao funcionamento do organismo e trazer consequências sérias para a saúde física. No Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, celebrado em 2 de junho, especialistas reforçam o alerta para sinais muitas vezes ignorados e que podem indicar um adoecimento silencioso. Um estudo publicado em 2023 no JAMA Pediatrics, com dados de 16 países, incluindo o Brasil, apontou que mais de 20% das crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos apresentam sinais de algum transtorno alimentar, com maior incidência entre meninas.

Segundo estimativa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), mais de 70 milhões de pessoas no mundo convivem com algum transtorno alimentar. Entre os quadros mais comuns estão a anorexia nervosa, marcada pela restrição severa da alimentação e perda excessiva de peso; a bulimia, caracterizada por episódios de compulsão seguidos de comportamentos compensatórios, como vômitos induzidos; e a compulsão alimentar, associada à ingestão excessiva de alimentos e sensação de perda de controle.

A médica nutróloga Eline Soriano explica que, embora os transtornos alimentares sejam frequentemente associados apenas ao aspecto psicológico, os efeitos físicos podem ser intensos e progressivos.

Entre os sinais físicos mais comuns, a médica destaca queda de cabelo, fadiga constante, alterações hormonais, deficiência de vitaminas, anemia, irritabilidade, dificuldade de concentração e perda de massa muscular. Em casos mais graves, os transtornos alimentares podem comprometer funções metabólicas, cardiovasculares e hormonais.

“Nem toda perda de peso significa saúde. Quando a alimentação passa a ser marcada por restrições severas, medo excessivo de comer, culpa constante ou episódios frequentes de compulsão, o metabolismo sofre e o corpo entra em estado de alerta”, afirma Eline Soriano.

A nutróloga também alerta para os impactos dos ciclos frequentes de restrição e exagero alimentar, comportamento cada vez mais comum entre pessoas que tentam emagrecer sem acompanhamento médico. “O famoso efeito sanfona não é apenas uma questão estética. Essas mudanças bruscas podem alterar hormônios, aumentar processos inflamatórios e favorecer deficiências nutricionais importantes”, pontua.

Segundo a especialista, a pressão estética e o excesso de informações sem orientação profissional nas redes sociais têm contribuído para a normalização de comportamentos de risco, especialmente entre jovens e mulheres.

“A busca pelo corpo ideal não pode custar a saúde. Dietas extremamente restritivas, jejuns prolongados e práticas inadequadas podem desencadear consequências sérias para o organismo”, alerta.

A médica reforça que identificar os sinais precocemente é essencial para evitar agravamentos e destaca a importância do acompanhamento multiprofissional, especialmente em casos em que a relação com a comida começa a gerar prejuízos físicos e comportamentais.

“Emagrecer não pode significar adoecer. A perda de peso precisa acontecer com equilíbrio, respeitando as necessidades do organismo e sem medidas extremas. Quando existe sofrimento, culpa ao comer, compulsão ou restrições severas, é indispensável procurar orientação médica. O acompanhamento profissional é fundamental para garantir um emagrecimento saudável, seguro e sustentável”.