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China reconhece Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação

Decisão chinesa amplia possibilidades de exportação de carnes e derivados brasileiros ao maior parceiro comercial do setor

02/06/2026
China reconhece Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação

A China reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. O anúncio foi divulgado em comunicado conjunto da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (Mara), publicado no site oficial da GACC. “Com base nos resultados da análise de risco, a partir da data deste comunicado, fica suspensa a proibição da febre aftosa no norte do Brasil, e todo o território brasileiro é reconhecido como livre da doença”, informa o texto. Na prática, a medida tende a ampliar o comércio de proteínas brasileiras com o país asiático.

O governo brasileiro recebeu a confirmação do reconhecimento pelas autoridades chinesas na madrugada desta terça-feira, 2, segundo apuração do Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. O comunicado é datado de 29 de maio.

O Brasil buscava esse reconhecimento desde que, em junho do ano passado, obteve o status de território livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A solicitação foi reforçada recentemente durante missão do ministro da Agricultura, André de Paula, à China, em maio deste ano, e fazia parte do conjunto de medidas compensatórias à salvaguarda de carne bovina reivindicadas pelo governo brasileiro.

Com o reconhecimento, o Brasil poderá avançar nas negociações para novos mercados, tanto na suinocultura quanto na pecuária bovina. Estão em andamento tratativas bilaterais para a abertura do mercado chinês a miúdos suínos internos (fígado, estômago), carne bovina com osso, miudezas bovinas e cálculo da vesícula biliar bovina (pedra de fel, utilizada na indústria farmacêutica), produtos que exigem o status sanitário agora reconhecido.

Além disso, a exportação de carne suína e de miúdos suínos externos (pé, orelha), atualmente restrita a Santa Catarina, poderá ser ampliada imediatamente para outros estados, mediante solicitação dos frigoríficos já habilitados para o comércio exterior. A exportação de couro wet blue para a China também deverá ser facilitada, sem a exigência de certificados específicos, segundo fontes do setor.

Fontes indicam ainda que o protocolo de exportação de carne bovina firmado entre Brasil e China deve passar por revisão e atualização após esse anúncio.

O reconhecimento chinês soma-se ao status de “risco negligenciável” para encefalopatia espongiforme bovina (EEB), o chamado “mal da vaca louca”, concedido ao Brasil pelas autoridades sanitárias chinesas e comunicado em fevereiro deste ano. Esse status também é considerado requisito para ampliar as exportações de proteínas ao país asiático.

Com os dois reconhecimentos sanitários, o Brasil deve ganhar fôlego para avançar na abertura do mercado chinês para carne com osso, miúdos suínos e bovinos e cálculo da vesícula biliar bovina. A China é o principal destino das carnes brasileiras, com embarques que somaram 2,057 milhões de toneladas em 2025, gerando receitas de US$ 9,815 bilhões com vendas de carne suína, bovina e de frango, segundo dados do Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do agronegócio brasileiro.