Geral
Valorização do ouro redefine reservas globais e reduz peso dos títulos dos EUA
Ouro atinge 27% das reservas internacionais em 2025 e supera títulos americanos, impulsionado por tensões geopolíticas e busca por proteção.
A valorização histórica do ouro e a busca mundial por alternativas ao dólar fizeram o metal ultrapassar os títulos do Tesouro dos EUA como principal ativo de reserva, respondendo por 27% das reservas globais em 2025. O movimento é impulsionado pelo aumento das compras dos bancos centrais e pelo cenário de tensões geopolíticas, que reforçam a procura por proteção financeira.
De acordo com o Banco Central Europeu (BCE), o ouro passou a representar 27% das reservas internacionais no final de 2025, ante 20% em 2024. No mesmo período, a participação dos Treasuries caiu de 25% para 22%, consolidando a ascensão do metal como reserva global.
Essa mudança reflete o esforço de diversos países para diminuir a dependência do dólar, tendência que se intensificou desde 2022, quando os Estados Unidos congelaram as reservas russas após o início da operação militar especial na Ucrânia, tornando o dólar uma ferramenta de pressão geopolítica.
Segundo a mídia britânica, a presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que as tensões geopolíticas continuam a impulsionar a demanda por ouro.
Com mais de 36 mil toneladas acumuladas, os bancos centrais se aproximam dos níveis registrados na era Bretton Woods. A valorização do ouro, que ultrapassou US$ 5.500 (R$ 27.720,00) por onça em janeiro, contribuiu para consolidar o metal como ativo dominante. Apesar disso, ativos em dólares ainda lideram, com 42% das reservas globais.
As compras de ouro pelos bancos centrais recuaram levemente para 850 toneladas em 2025, após três anos consecutivos acima de 1.000 toneladas. China, Polônia, Turquia e Índia lideraram as aquisições desde 2022, enquanto a Tether destacou-se como maior compradora individual em 2025, adquirindo mais de 100 toneladas.
A Turquia, que acumulou 220 toneladas desde 2022, realizou uma das maiores reduções recentes ao vender ou emprestar 130 toneladas após o início do conflito entre EUA, Israel e Irã. O BCE também ressaltou o fortalecimento gradual do papel internacional do euro na última década.
A emissão de dívida internacional em euros cresceu 30%, alcançando quase € 1 trilhão (cerca de R$ 5,44 trilhões) em 2025. Investidores estrangeiros aplicaram € 850 bilhões (mais de R$ 4,62 trilhões) em ativos da zona do euro, elevando os fluxos de carteira a patamares próximos dos recordes desde a criação da moeda.
O relatório aponta que, embora o dólar ainda lidere o sistema financeiro global, a combinação de tensões geopolíticas, sanções e busca por diversificação está reconfigurando a composição das reservas internacionais, fazendo com que o ouro recupere um protagonismo não visto há meio século.
Por Sputnik Brasil
Mais lidas
-
1DIREITOS TRABALHISTAS
Quando começa a valer a escala 5x2?
-
2JULGAMENTO DO CASO HENRY BOREL
Filha de ex-namorada de Jairinho relata agressões sofridas na infância
-
3EDUCAÇÃO
Vestibular Unicamp 2027: confira os temas mais recorrentes na prova
-
4ATAQUE NA PRAIA DE PIEDADE
Menino de 11 anos é atacado por tubarão e passa por cirurgia em Pernambuco
-
5RESGATE NO LITORAL PAULISTA
Mulher resgatada após mais de 40 horas no mar recebe alta: 'Continuem orando pelo meu colega'