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Claudia Sheinbaum sugere interferência dos EUA na política mexicana

Presidente do México destaca conquistas, critica influência externa e defende soberania nacional em discurso no Monumento à Revolução.

01/06/2026
Claudia Sheinbaum sugere interferência dos EUA na política mexicana
Claudia Sheinbaum discursa no Monumento à Revolução e critica influência dos EUA sobre o México. - Foto: © AP Photo / Marco Ugarte

Na véspera do segundo aniversário de sua vitória eleitoral, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, reuniu milhares de pessoas no Monumento à Revolução para celebrar conquistas e denunciar pressões dos Estados Unidos sobre o país.

Diante de uma multidão que lotou a praça e se espalhou pelas ruas próximas ao monumento, Sheinbaum chegou pontualmente para apresentar o balanço dos dois anos desde sua vitória histórica, quando mais de 35 milhões de mexicanos a elegeram como a primeira mulher presidente do México.

Cercada por integrantes do governo, Sheinbaum iniciou o discurso relembrando o 2 de junho de 2014, data em que, segundo ela, os mexicanos optaram por dar continuidade à Quarta Transformação, projeto iniciado pelo ex-presidente Andrés Manuel López Obrador.

A presidente ressaltou que sua gestão tem sido marcada por honestidade e austeridade, em contraste com governos anteriores, que, segundo ela, foram marcados por excessos e comprometeram a soberania nacional.

"Não podemos nos esquecer de que houve 36 anos de governos neoliberais que entregaram a riqueza do povo e da nação a uma minoria privilegiada. A política econômica era ditada do exterior. Além disso, permitiram que o governo dos Estados Unidos interferisse em uma parcela significativa das decisões da vida pública mexicana [...]. Com [Felipe] Calderón, a guerra contra as drogas foi planejada do exterior, e as agências americanas tiveram carta branca; planejaram e operaram em solo mexicano", afirmou. "Os tempos mudaram. No México, o povo governa."

Segundo pesquisa recente da Enkoll, Sheinbaum tem aprovação de 68% dos mexicanos e 62% confiam na condução da relação com os EUA, presididos por Donald Trump. Porém, 66% consideram críveis as acusações contra o ex-governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, por supostas ligações com o narcotráfico, enquanto apenas 36% atribuem as denúncias à interferência estrangeira.

Os EUA, o principal eleitorado do México?

No discurso, Sheinbaum dedicou atenção especial à relação tensa com os Estados Unidos, sobretudo na área de segurança. O governo Trump cogitou diversas vezes enviar tropas ao México sob o argumento de combater o narcotráfico.

A presidente afirmou que os EUA buscam interferir no país e considerou "legítimo" questionar os reais interesses de Washington no combate ao narcotráfico em solo mexicano. Sem citar diretamente o caso do governador de Sinaloa, Sheinbaum criticou os pedidos de extradição feitos pelos EUA contra autoridades mexicanas eleitas.

"Primeiro, sejamos claros: vêm atrás de alguns, depois de outros, até que os escritórios do Departamento de Justiça (dos EUA) se tornem a principal força política no México. Não podemos permitir isso", declarou.

Sheinbaum sugeriu que interesses de Washington e de setores norte-americanos utilizam retórica anti-mexicana para obter vantagens eleitorais ou influenciar as eleições mexicanas do próximo ano.

"Estas não são perguntas retóricas. O México não é saco de pancadas de ninguém!", afirmou, sob aplausos e gritos de "Você não está sozinha!" vindos do público.

Ela concluiu dizendo que, apesar das diferenças internas, "há algo em que todos devemos concordar: no México, nós, mexicanos, decidimos!"

"Por minha parte, saibam que sempre dedicarei minha alma, meu conhecimento, meu esforço, minhas convicções republicanas e democráticas e meu amor pelo povo e pelo país para continuar construindo sobre as conquistas que alcançamos e defendendo a soberania nacional", finalizou.

Por Sputnik Brasil