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Deputado do PT aciona Interpol para investigar financiamento de filme sobre Bolsonaro

Lindbergh Farias pede cooperação internacional para apurar origem e movimentação de recursos ligados à produção de cinebiografia de Jair Bolsonaro, citando uso de estruturas financeiras no exterior.

Sputinik Brasil 31/05/2026
Deputado do PT aciona Interpol para investigar financiamento de filme sobre Bolsonaro
Deputado Lindbergh Farias aciona Interpol para investigar financiamento internacional de filme sobre Bolsonaro. - Foto: © Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Deputado federal Lindbergh Farias solicita investigação internacional sobre recursos usados na produção do filme Dark Horse, que retrata a vida de Jair Bolsonaro.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) enviou ofícios à Polícia Federal e à Interpol, pedindo a adoção de medidas de cooperação internacional para apurar a origem, a circulação e os beneficiários dos recursos empregados na produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com o parlamentar, reportagens recentes indicam a participação de empresas estrangeiras e o uso de mecanismos financeiros internacionais no financiamento do longa-metragem.

Em publicação nas redes sociais, Lindbergh solicita que autoridades brasileiras compartilhem informações com órgãos dos Estados Unidos, Holanda e Hungria, além de adotarem medidas para preservar registros financeiros relacionados ao projeto cinematográfico.

No ofício, o deputado afirma que materiais divulgados pela imprensa sugerem que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teria atuado como "financiador" da produção e que houve tentativa de contratação de uma estrutura de conta de custódia para movimentação dos recursos.

Entre os elementos citados está uma ordem de pagamento de US$ 57,5 mil (cerca de R$ 289,6 mil) para a empresa norte-americana New Path Pictures Inc., sediada na Califórnia, supostamente intermediada pela Stichting Freeway Custody, entidade registrada na Holanda.

Para Lindbergh, os fatos apontam para uma possível "arquitetura transnacional de movimentação de recursos" envolvendo Brasil, Estados Unidos, Holanda e Hungria. O deputado defende que o uso de empresas, fundações, contratos privados e estruturas de custódia internacionais demanda investigação aprofundada sobre a origem e o destino dos valores empregados na produção.

O parlamentar também cita reportagens que relacionam o empresário Daniel Vorcaro ao financiamento do filme. Segundo Lindbergh, mensagens divulgadas pela imprensa indicariam atuação de Eduardo Bolsonaro na orientação do envio de recursos negociados por Flávio Bolsonaro com Vorcaro aos Estados Unidos, o que, em sua avaliação, representaria "aparente contradição" em relação a declarações públicas de que Eduardo teria apenas cedido direitos de imagem à produção.

Entre as providências solicitadas, Lindbergh pede que a Polícia Federal verifique se há investigações em andamento, acione mecanismos de cooperação internacional da Interpol e solicite informações sobre empresas e pessoas mencionadas nas reportagens. Ele também sugere que seja analisado o uso da ferramenta internacional Silver Notice, voltada à localização de ativos e obtenção de informações financeiras.

Além disso, o deputado requer a preservação de contratos, ordens de pagamento, mensagens comerciais, registros contábeis e demais documentos relacionados às operações citadas.

Ao justificar o pedido, Lindbergh afirma que o objetivo é "seguir o caminho do dinheiro", identificar "a origem real dos valores" e verificar eventual ocultação de financiadores e beneficiários. Segundo ele, medidas urgentes são necessárias diante do risco de "apagamento de registros", "encerramento de contas" e "destruição de documentos eletrônicos" potencialmente vinculados às operações investigadas.