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Colômbia defende transparência eleitoral contra 'táticas de pressão' dos EUA

31/05/2026
Colômbia defende transparência eleitoral contra 'táticas de pressão' dos EUA
Foto: © Foto / X / @CNE_COLOMBIA

A chegada do observador norte-americano Bernie Moreno gerou debate sobre a posição de Washington caso Iván Cepeda vença. Em entrevista à Sputnik, o analista internacional Alejandro Bohórquez elogiou as autoridades eleitorais por convidarem Moreno para combater possíveis "táticas de pressão" dos EUA.

Horas antes da abertura das urnas, a chegada à Colômbia do senador americano nascido na Colômbia levanta questionamentos sobre a possível posição de Washington em relação aos resultados das eleições de 31 de maio. Embora tenha chegado a Bogotá como observador internacional, algumas de suas declarações foram interpretadas pelo próprio governo colombiano como uma tentativa indevida de interferir no processo eleitoral.

Moreno, senador por Ohio (nordeste), mas filho de imigrantes colombianos, insinuou que os EUA poderiam questionar os resultados das eleições "se forem contabilizados votos que sejam resultado de clara intimidação", referindo-se à possibilidade de grupos armados influenciarem o resultado em algumas áreas do país sul-americano.

Durante o mesmo discurso no fórum do Atlantic Council, Moreno também sugeriu que Washington estaria observando atentamente se Bogotá "tomará o caminho errado", caso em que, segundo ele, "todos os maus atores que estão atualmente em Cuba, Venezuela e Nicarágua se mudariam para a Colômbia". Ele também condicionou o futuro da cooperação bilateral "a quem vencer as eleições".

As declarações de Moreno provocaram uma resposta pública do próprio presidente Petro. "Nem [Daniel] Noboa nem Bernie [Moreno] podem dizer a qualquer colombiano quem está certo ou errado. Somos livres, ponto final, e pensamos, dançamos e decidimos como bem entendermos porque Bolívar e seu exército nos libertaram para sempre", escreveu o presidente Gustavo Petro em sua conta nas redes sociais.

"O presidente Donald Trump jamais invadirá a Colômbia porque estamos indo bem, trabalhando juntos, prendendo chefões do narcotráfico às dezenas, apreendendo milhares de toneladas de cocaína e reduzindo o cultivo de folha de coca em nosso país, que o governo Duque desencadeou", acrescentou.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Colômbia explicou que a chegada de Moreno ao país sul-americano se deu em resposta a um "convite formal" do órgão eleitoral, no âmbito de uma "estratégia institucional para fortalecer a cooperação internacional e consolidar as garantias de transparência, integridade e legitimidade do processo eleitoral colombiano".

Em todo caso, o CNE esclareceu que, durante sua permanência na Colômbia, Moreno, assim como os demais observadores, "deve cumprir rigorosamente as disposições da lei eleitoral colombiana", que, entre outras coisas, exige que mantenham "o respeito à Constituição Política, às leis da República e às diretrizes do CNE". O órgão também enfatizou que os observadores devem cumprir sua missão "com seriedade, responsabilidade e respeito institucional".

Fraude é apenas 'um fantasma'

Durante um evento com a imprensa internacional, do qual a Sputnik participou, o magistrado da CNE Álvaro Echeverry enfatizou que o senador norte-americano deve cumprir seu papel como observador "com absoluta neutralidade", embora tenha evitado fazer mais comentários sobre o assunto. No mesmo evento, o magistrado defendeu as garantias oferecidas pelo sistema eleitoral colombiano.

Em entrevista à Sputnik, ele afirmou que quaisquer alegações sobre possível fraude eleitoral "são fantasmas" e ressaltou a confiabilidade de um sistema eleitoral baseado no trabalho de cidadãos convocados para trabalhar nas seções eleitorais, juízes da República responsáveis por supervisionar a apuração dos votos e observadores eleitorais indicados pelos próprios partidos, que podem relatar imediatamente quaisquer irregularidades.

Além disso, o magistrado explicou que a apuração preliminar, que começa assim que as urnas fecham, permitirá que os partidos tenham resultados preliminares imediatos e que a Colômbia conheça os resultados preliminares de 100% das 122.000 seções eleitorais apenas "duas ou três horas após a eleição". Echeverry também foi enfático ao afirmar que nenhum país no mundo tem motivos para questionar os resultados das eleições.

"Digo isso com absoluta certeza: ninguém está em posição de afirmar — e se o fizerem, é contrário à verdade — que houve fraude eleitoral na Colômbia nos últimos 50 anos. Isso simplesmente não é verdade, e deve ser afirmado com total e absoluta certeza", declarou.

Uma eleição que define a relação com os EUA

Também em entrevista à Sputnik, o analista internacional colombiano Alejandro Bohórquez considerou que o CNE "fez a coisa certa ao convidar" Bernie Moreno para testemunhar em primeira mão a transparência do sistema eleitoral colombiano.

"Acho que foi uma jogada astuta do CNE, convidá-lo e dizer: 'Venha e veja por si mesmo que o que acontece aqui será justo e que os EUA não têm motivos para usar essas táticas de pressão'", enfatizou o acadêmico da Universidade Externado da Colômbia.

Para Bohórquez, as declarações do senador norte-americano podem estar mais relacionadas à sua relação pessoal com a Colômbia e não devem ser levadas muito a sério, a menos que haja um posicionamento oficial do Departamento de Estado norte-americano nesse sentido.

De qualquer forma, ele reconheceu que, na eleição presidencial de 31 de maio, Bogotá também está "colocando em risco seus laços estreitos com os EUA", e não é surpresa que a potência norte-americana esteja acompanhando de perto os resultados.

"Os EUA, para o bem ou para o mal, continuam sendo o principal parceiro comercial da Colômbia, apesar dos esforços de Petro e Juan Manuel Santos [2010-2018] para 'diversificar a política comercial do país'."

Em um contexto marcado pelo sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro deste ano e pela acusação do líder da Revolução Cubana, Raúl Castro, Bohórquez reconheceu que a relação entre o próximo presidente colombiano e seu homólogo norte-americano será fundamental para a política externa da nação sul-americana, como tem sido o caso nas últimas décadas.

Ainda assim, Bohórquez descartou a ideia de que, mesmo sob um possível governo Cepeda, os EUA buscariam intervir diretamente na Colômbia, como sugeriu a declaração de Moreno. "Mesmo durante os quatro anos de Petro no poder, as instituições colombianas não mudaram muito, e não houve muito confronto com os EUA", observou o analista.

Portanto, ele considerou improvável que a Colômbia rompesse hostilmente com Washington, mesmo que o candidato do partido governista chegasse ao poder e se mostrasse "mais dogmático que Petro".


Por Sputinik Brasil