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Telescópio revela nuvens de areia que desaparecem antes do pôr do sol em exoplaneta distante

Observações inéditas do James Webb mostram ciclo meteorológico e composição atmosférica de 'Júpiter quente' a 690 anos-luz da Terra

24/05/2026
Telescópio revela nuvens de areia que desaparecem antes do pôr do sol em exoplaneta distante
Ilustração do exoplaneta WASP-94A b com nuvens de areia que desaparecem ao entardecer, observadas pelo telescópio James Webb. - Foto: © Foto / NASA, CSA, ESA, J. Olmsted (STScI), Science: N. Madhusudhan (Universidade de Cambridge)

Pela primeira vez, o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, registrou o ciclo meteorológico diário do exoplaneta WASP-94A b.

Nesse planeta gasoso, a manhã é marcada por nuvens de silicato de magnésio vaporizado — o mesmo mineral que compõe a areia na Terra —, mas essas nuvens se dissipam ao entardecer.

O céu noturno limpo permitiu aos astrônomos obter dados inéditos e sem distorções sobre a composição química da atmosfera desse chamado 'Júpiter quente', um tipo de gigante gasoso extremamente aquecido que orbita muito próximo de sua estrela hospedeira, segundo detalha o portal Phys.org.

WASP-94A b está a cerca de 690 anos-luz da Terra e orbita uma de duas estrelas de seu sistema. O planeta é 1,7 vez maior que Júpiter, mas está muito mais próximo de sua estrela, a apenas 8,2 milhões de quilômetros, completando uma órbita em apenas quatro dias e atingindo temperaturas superiores a 1.200 °C. Nessas condições, as nuvens não são formadas por vapor d’água, mas por metais e rochas vaporizados — verdadeiras tempestades de areia voláteis.

Determinar a composição química de um Júpiter quente era um desafio devido à densa nebulosidade. O professor David Sing, da Universidade Johns Hopkins, que liderou o estudo, comparou a situação a tentar "ver o planeta através de uma janela embaçada". Sua equipe buscou entender se esses mundos estavam sempre envoltos em nuvens.

Os cientistas observaram o trânsito de WASP-94A b — o momento em que o planeta passa à frente do disco de sua estrela. Nesse instante, a luz estelar atravessa a atmosfera do planeta e é absorvida por diferentes gases, em comprimentos de onda variados. Isso permite que os pesquisadores determinem a composição atmosférica por meio dessa "impressão digital". O método possibilitou examinar separadamente as bordas do planeta durante o trânsito: "manhã" e "noite".

Na borda onde chega a "manhã" e o ar flui do lado noturno para o diurno, foram detectadas nuvens abundantes de silicato de magnésio. Já na borda "noturna", as nuvens desaparecem, revelando uma atmosfera dominada por hidrogênio, segundo o JWST. Antes, o Telescópio Espacial Hubble não conseguia distinguir os sinais das duas bordas, levando à impressão de que WASP-94A b teria centenas de vezes mais oxigênio e carbono que Júpiter — um valor improvável. Com o JWST, a influência das nuvens foi eliminada e a concentração de oxigênio e carbono mostrou-se apenas cinco vezes maior que a de Júpiter, classificando WASP-94A b como um planeta relativamente comum.

Por Sputnik Brasil